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28.12.07

O Restaurante

Após terminado o lanche, o cliente faz um sinal ao garçom para que este traga a conta, ao que é prontamente atendido:
- pois não, senhor?
- a conta, por favor.
- aguarde um instante. Obrigado.
O cliente, em um movimento com a cabeça, concorda com o garçom e aguarda o retorno deste com a conta.
- foi um “x” salada, uma porção de fritas, uma coca-cola 600...
- isso...
- mais nove mudas de árvore para reflorestamento – acrescenta o garçom, calmamente.
- o quê!? – prontamente retruca o cliente, um tanto intrigado e atônito.
- é que estamos levando em consideração somente a quantidade de guardanapos que o senhor utilizou.
- como? – ainda sem entender.
- o senhor gostaria de incluir também a garrafa plástica do refrigerante e demais derivados de petróleo utilizados, como os saches de catch up e maionese?
- não!... mas... o que é isso, afinal?
- oh, claro! O senhor nunca havia freqüentado este estabelecimento, obviamente. Deixe-me explicar.
- certo...
- nosso restaurante, para contribuir com toda a humanidade, ao constatarmos quanto papel – ou plásticos, quando o cliente assim quiser – consumiu durante o lanche ou refeição, calculamos quantas árvores foram necessárias para fabricar os guardanapos consumidos, por exemplo.
Então, feito o cálculo – continua o garçom – incluímos na conta o número de mudas correspondente para plantarmos em uma área de reflorestamento de propriedade do restaurante.
- hmm!
- no caso do senhor, o consumo de guardanapos foi correspondente a nove árvores.
- mas isso é um absurdo! Vocês deveriam...
- absurda é a quantidade de papel que o senhor utilizou...
- não, mas...
- senhor, ou o senhor paga as mudas ou arca com as conseqüências desse consumo desenfreado.
- mas...
- enquanto o senhor decide, vou atender outros clientes, mais conscientes dos danos causados à natureza com a utilização de papel e plásticos.
- OK!, eu pago as mudas, se é para o bem de todos, inclusive meu, mas com a condição de conhecer a área de reflorestamento.
- certamente, senhor. Levaremos o senhor até ela, com todo prazer.
O cliente então pagou a conta, agendou uma visita à área reflorestada, e foi embora, com a barriga cheia e a consciência tranqüila.
____
Por Marco Vicente Dotto Köhler

17.12.07

Espírito Natalino...

O espírito natalino é algo realmente sem explicação... Então, desejo a todos os trocentos bilhões de leitores deste inimaginável blog, um feliz natal e um ano novo no rumo certo...

E, já que estarei viajando no fim-de-ano, novos posts só no ano novo (ou seria novo ano?)

poesiazinha....

______
Vácuo

Se os dias que tanto esperei
Passaram e nem vi.
Se as expectativas que tinha
Não mais existem.
O que fazer?

Você já sentiu um vazio assim?

Como se estivesse em frente
A uma parede branca
De um quarto frio e vazio
Olhando pela janela
E só enxergando a névoa,
Densa e chuvosa.

Você já se sentiu assim?

Como se fosse oco
Da cabeça aos pés.
Como um caderno em branco.
Como ter um balão estourado e murcho
Em uma festa de aniversário.

Você já sentiu um vazio assim?
____
Por Marco Vicente Dotto Köhler...

11.12.07

Em um dia qualquer

Não te peço para entender
nada do meu jeito.
Nem para ver nada como eu vejo.

Não quero que chore
pelo que se passa,
nem que sorria pelo que está por vir.

Peço eu esteja comigo
em um dia frio.
Que deixe eu estar contigo
em um dia qualquer.
___
Por Marco Vicente Dotto Köhler - 2005

22.11.07

Aniversário...

Quando criança queria ir à Lua
E ver o que tem pro lado de lá.
Na volta, queria passar por dentro das nuvens,
Bem devagarinho, pra poder pegar um pedacinho
E guardar numa sacola, pra ver como é que é.

Passa o tempo, passa o sonho, passa a vida.
E a essas alturas, já tenho medo de altura


___
Por Marco Vicente Dotto Köhler.

20.11.07

Humberto Gessinger.

Gosto muito da banda Engenheiros do Hawaii. Talvez porque ouço desde minha infância e seja praticamente uma das trilhas sonoras de minha vida.
Infinita highway, por exemplo, me faz lembrar do dia em que fui à pista de motocross de Itapiranga-SC, minha cidade natal, no motorhome do piloto Chumbinho Becker, para vê-lo treinar. Foi um dia inesquecível. E a música me faz sentir até o cheiro do motor dois tempos da Suzuki é o cheiro do motor dois tempos da Suzuki RM 250cc misturada à poeira levantada pelos pneus, dos óculos que o Chumbinho usava, que tinha imagens em 3-D.

Seriam tantos relatos de músicas-memórias que poderia ser feito um livro. Mas acho que ninguém leria. Serviria mais para numa eventual perda de memória eu poder lembrar de coisas boas da minha vida.

Mas, como ia dizendo, gosto muito de Engenheiros, e, por conseqüência, do Humberto Gessinger. Admiro muito o trabalho deste cidadão, este contra-baixista, compositor e letrista e uma das coisas que gostaria muito é de conhecê-lo pessoalmente, para poder bater um papo e aprender alguma coisa com ele, assim como a gente aprende ao ouvir histórias contadas pelos avós, pais, tios e amigos mais velhos.

Tentativas e relatos
Para tanto, na esperança de poder conhecer Humberto Gessinger, fiz algumas tentativas, todas frustradas, como não poderiam deixar de ser.

Relatos-as aqui:
Fui a um show dos Engenheiros do Hawaii no Mariscão, na praia da cidade de Jaguaruna-SC. neste show fiquei, junto com dois primos e uma prima, bem em frente ao palco. Estava de boné e, no meio da apresentação me deu um negócio e coloquei o meu nome, endereço e numero do telefone residencial em um boné e atirei no palco, certo de que receberia uma ligação ou uma visita. Obviamente, nunca ocorreu. Mas, mesmo assim, mais ou menos um ano depois, quando troquei de endereço e telefone fiquei preocupado, pois “vai que resolva ligar”...
Algum tempo depois, tive outra idéia brilhante: ligar para a companhia telefônica do Rio Grande do Sul e pedir, educadamente, o número do telefone do Humberto Gessinger. A atendente foi solícita, pedindo, “apenas” o endereço dele para que eu pudesse receber em contrapartida o número do telefone. A tentativa findou com um “boa noite” e “muito obrigado”, sem resultado positivo.

O empecilho do endereço foi milagrosamente resolvido no dia que ouvi a música “e-stória”, em que Humberto Gessinger e Carlos Maltz “conversam” na letra da música, e num trecho há o seguinte diálogo:
“- Adriane e Clara mandam beijos pra vocês, (coisas que não cabem nos encartes dos CDs).
- Talvez no final do ano ou talvez no final do mês, dou um pulo em Porto Alegre (Silva Jardim 433)”.
Sim. Tudo estava resolvido. Tinha finalmente conseguido o endereço do cara. Nada feito. Não deu certo.

Solução internética
Desanimado, mas não sem esperança, encontrei, no encarte de um álbum, um endereço de e-mail. Pronto!, pensei. Mandei um e-mail dizendo o quanto gostava do trabalho da banda e o quanto admirava H. Gessinger, e mandei uma poesia para que, se ele quisesse, musicasse e gravasse no próximo album. Eu tinha 16 anos de idade. Um tempo depois, enquanto checo a caixa de entrada do meu e-mail e vejo os remetentes “Kelvim, Mel, Americanas.com, Humberto Gessinger, Livraria Saraiva...” Humberto Gessinger? Sim, ele respondeu. Pensei se tratar de vírus, mas não era. Era um e-mail simples, agradecendo a admiração e mandando um abraço, sem nada falar da minha poesia. Fiquei feliz. Meus amigos me tiraram para mentiroso. Mas mostrei o e-mail e tudo resolvido.

Mas minha saga ainda não havia terminado. Meu objetivo era conhecer Humberto Gessinger, oras!
Então, depois de outro show, desta vez em um ginásio em Criciúma-SC, em que tirei várias fotos, inclusive algumas em que ele olhava para a câmera, e outra no exato momento em que a bandana cai da cabeça dele. Tentei entrar no camarim. Nada feito. Mandei as fotos para ele. Sem resposta.

QUE RAIVA!!
Tempos depois, meu amigo contou que teve a chance de entrar no camarim e bater um papo e algumas fotos com ele, mas recusou a proposta. “Não gostava tanto de Engenheiros na época”. Ô sorte. Ô azar!

Uma luz no fim do túnel e não é um trem na contra-mão
Em 2006, em um momento da minha vida em que não sabia para onde ir, se para o Tibet ou para Miami, fiz uma última tentativa de conhecer Humberto Gessinger.
Me propus, via e-mail, pois era o único meio que havia tido algum retorno, a ser roadie da banda, pois sou um aprendiz de contrabaixista e iria adorar ser carregador de coisas, montador de palco, afinador de instrumento, ou o que quer que fosse, apenas para poder conhecê-lo e também fazer algo diferente na minha vida... viajar um pouco, conhecer lugares e pessoas. Junto com o pedido, mandei uma poesia (ruim, diga-se de passagem) em que relatava que ser roadie era a única “luz no fim do túnel” naquele momento de minha existência nessa Terra. Recebi resposta educada, mas nada feito. Acho que ele já tinha roadies suficientes.
Tive que continuar minha vida como estava, minha faculdade de Direito, meu estágio e assim por diante.

Desistir, jamais!!
Depois de tudo isso, acabei me resignando com a situação: estudar era o caminho, e então, advindo dessa vontade de estudar aliada à não esquecida vontade de conhecer H. Gessinger, tive outra brilhante idéia. Brilhante, não. Genial: depois de formado em Direito cursarei uma faculdade de História e farei meu Trabalho de Conclusão de Curso sobre a relação de determinado álbum dos Engenheiros com a História do Brasil. Assim, talvez tenha a chance de conhecer este cidadão chamado Humberto Gessinger.
Claro que não vou falar qual o possível tema do TCC, pois vai que alguém queira copiar essa idéia de “gênio” e acabe frustrando novamente minha tentativa?
É um plano um tanto demorado, pois o TCC seria feito daqui uns cinco anos. Mas, quem sabe, né?

Enquanto isso, a vida passa...

____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, um fã declarado, sim, e com personalidade.

Ps.: Humberto Gessinger, se acaso ler este relato e por ventura quiser entrar em contato, meu e-mail mudou para chemarcolino@yahoo.com.br.

“se isso não der samba, pelo menos dá um abraço”

4.11.07

O que você pensa?

Penso que tudo está bem,
Que não está nada certo.
Que é hora do fim

Penso que tudo virou caos.
Que tudo está tranqüilo.
Que talvez seja comigo.

Penso que me sinto bem sozinho.
Que preciso de carinho,
Que dormindo é que estou vivo.

Penso que algo me machucou.
Que me cortei sozinho.
Que vai cicatrizar um dia.

Penso na esperança a que me agarro,
Que leva para longe.
Que do alto a queda é fatal.

Penso no que mais que penso:
Que tudo acaba, cedo ou tarde;
Que me demito da existência;
Que vomito decadência;
Que já não tenho paciência;
Que quase desisti e me assustei;
Que fui à beira, e não pulei;
Que falei coisas que você não quer saber.

____
Por Marco Vicente Dotto Köhler

31.10.07

Barbas de molho?

Hoje de madrugada enquanto penteava minha barba, pensei “será que o Fidel penteou a barba quando dominou Cuba?”.
Mas que barbaridade perder tempo pensando uma coisa dessas!
Madrugada será um monte de Madruga?
Se o tempo não é meu, como posso perdê-lo?
Por falar em barbaridade, lembrei do nome Bárbara. As Bárbara são bárbaras bárbaras, ou o inverso?
Sim, há uma lógica absurdamente bárbara nisso aí: as Bárbara são barbáries bárbaras ou bárbaras barbáries?
Mas, pelas barbas do profeta (ou pela do Fidel, se penteada), o que isso importa?
Se é importado, é barbarismo?
Que barbeiragem literária! Sou mesmo um barbato sem barbeiro. E sem chagas.
___________________________
De tão abarbado vou ficar abarbelado.
Mas não me abarbilhe, que sou só um barbato
Barbarizado sem tempo para barbeação.
___
Por Marco Vicente Dotto Köhler, em 31/10/2005.

27.10.07

Viagem no tempo...

Estamos no ano de 2007. Eu sou o que sou. Se, por exemplo, no ano de 2030 o Homem conseguir fazer uma viagem no tempo e, digamos, voltar para o ano de 1972 e lá ocorrer alguma mudança na História, seja ela municipal ou mundial, esse “eu” de hoje, 2007, é (sou) “o eu” já como decorrência dessa alteração na História? Pois, afinal, o ano de 1972 já passou, quer ele tenha ou não sido alterado por viajantes no tempo.

E, tanto faz se eu sou o eu da História alterada ou não, não saberei se foi ou não alterada, porque estamos em 2007 e a viagem no tempo ainda não aconteceu.

De fato, aconteceu a intervenção no passado (1972) causada por uma viagem no tempo no ano de 2030. Como estamos em 2007, ainda não sabemos dessa viagem, mas já somos fruto do futuro, que interveio no passado, mas no presente ainda não sabemos disso.

Se em 2030 se chegar a ter a tecnologia para voltar no tempo é porque isso é fruto de estudos, da evolução da ciência e da História humana.

No entanto, se chegou a tal conhecimento pela história em sua linha natural que, se alterada por uma viagem no tempo, talvez nunca se chegue a tal tecnologia, justamente pelo fato de a História em seu curso natural (a qual levou o ser humano à tecnologia para viajar no tempo) ter sido alterada.

Assim, tem-se que o passado foi alterado pelo futuro, mediante uma viagem no tempo, e alterou o presente e, conseqüentemente, o futuro. Se essa alteração se deu a ponto de no futuro alterado não se chegar a ter o conhecimento suficiente para se voltar no tempo, não saberemos que na História “natural” se voltou no tempo e esta foi alterada e essa alteração gerou uma história “alterada”, sendo, portanto, esta História, dita alterada, considerada como a própria História natural, pois é ignorada, é desconhecida a alteração ocorrida pela viagem no tempo.
Deste modo, temos dois futuros paralelos. Um, alterou o passado e parou. O outro é a continuidade desse passado alterado.

De qualquer jeito, não saberemos se o presente é fruto somente do passado ou se do passado alterado pelo futuro em uma viagem no tempo. Podemos ser filhos do futuro.
E isso tudo é uma loucura.

____
Por Marco Vicente Dotto Köhler. Outubro de 2007.

19.10.07

E agora? (é agora)

Já se foi o tempo de sonhar,
De esperar um futuro melhor sem nada fazer,
Como quem aguarda o trem passar pelo trilho à sua frente,
Esperando o último vagão para embarcar
Imaginando que, já cansada, vá conseguir se agarrar.

Mas para você o trem não vai parar.
Acorde do seu sonho e vá até a estação,
Para não precisar tentar pegá-lo em movimento.

Se você se atrasar só conseguirá atravessar o trilho.
E em seu pequeno eterno vagão imóvel irá repousar.

Acorde logo ou entãoa lugar nenhum você irá.
____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, em julho de 2002.

9.10.07

Queda livre

Chego à beira do abismo.
Penso na queda livre.
Ansiedade e saudade:
Alianças sem valor.

Sentimentos passageiros
Mostram o que não sei.
Sorrindo na queda livre,
Sem medo nem amor.

Tudo envolve todos nessa teia,
E apenas nos deixa mais confusos.
Nadamos contra a corrente,
Desafiando os covardes sem coragem de sonhar.

Sorrindo na queda livre,
Nem vivo nem morto, apenas caindo.
Sorrindo na queda livre,
Nem vivo nem morto, apenas sorrindo.

E o que nos resta é pensar no que passou.
Ou abrir o pára-quedas.
E quando menos se espera
O tempo acaba e a queda chega ao fim.

E não resta mais nada para fazer,
Tivemos nossa chance.

E não resta mais nada a fazer,
Nossa chance passou,
Como se já não soubéssemos
Que era nossa única chance.

Vamos deixar o que passou,
Esperar o que virá,
Vivendo o dia de hoje.

É só o que temos.
E não sabemos
Se realmente é nosso.

_____
por Marco Vicente Dotto Köhler

2.10.07

um castigo e um perdão

Ele cedeu à própria dúvida e acabou por trair sua noiva, e assim traiu a si mesmo.
A noiva soube, mas o amava tanto que o perdoou, o que fez aumentar a culpa daquele pobre homem, que não se perdoava pelo que fizera a quem o amava daquele jeito, de forma incondicional.
Pensou em não se casar com aquela moça, por não ser digno de seu amor, mas era ainda menos merecedor de não fazê-la feliz. Então, fez com que sua mulher o amasse cada dia mais, até o fim de seus dias, o que, para ele, era um castigo e um perdão.
O amor, portanto, era céu e inferno juntos, em harmonia perfeitamente dolorosa.

25.9.07

AVISO IMPORTANTE!!!

Quase não acreditei quando li, em uma universidade, no bloco que aloja os cursos de medicina e fisioterapia, um aviso, colado em uma máquina de xerox em desuso, que está em frente a uma sala de fotocópias.

O aviso é inusitado, dado o contexto do mesmo, chega às raias da bizarrice, pois está numa folha tipo A4, em letras garrafais, que alertam: “Favor não depositar lixo na máquina copiadora”.

Tal aviso, por si só e por estar colado numa máquina de fotocópias numa Universidade já é engraçado, mas imaginar o que deveria ser da pobre máquina e o quanto deve ter se irritado o responsável pela limpeza do setor para chegar ao ponto de ter que colocar um aviso desses... Ah! Isso, como reza a propaganda, não tem preço.

__
Por Marco Vicente Dotto Köhler

18.9.07

Minha primeira vez...

A vida é engraçada. Tem quem discorde, mas é: basta saber rir dela. Uma das coisas engraçadas da vida (ao menos da minha) foi minha “primeira vez”.
Foi engraçado por vários motivos, mas, principalmente, porque o tempo vai passando e a gente cresce e no fundo, bem lá no fundo mesmo, continuamos os mesmos crianções de antes, com a diferença de estarmos barbados e aparentemente mais seguros e confiantes.
Somos, no momento nebuloso entre a infância e a “adultez” (se é que isto existe, como a tão falada “maturidade”) algo demasiado indefinido, quase patéticos. E sei que as coisas ainda me parecem nebulosas, portanto tenho consciência do meu “ser patético”. Mas por mais que isso tudo tenha muita importância em nossas vidas, não é sobre isso que quero falar.
Falo (sem trocadilhos, por favor) sobre a minha primeira vez e na sua inevitável graça. O tempo foi passando, fui conhecendo novas coisas e coisas novas que o mundo nos proporciona, entre elas, “elas”.
A conheci quando já estava na faculdade e, no primeiro olhar, soube que seria ela a me mostrar esse prazer ainda desconhecido para mim, mas que já muito e há muito ouvira falar.
Todos os meus amigos já tinham tido essa experiência (ao menos diziam que tinham), mas eu não.
Estava com 23 anos de idade, e “nada de nada”, entende? Mas tudo mudou com aquele olhar. Ela, com a experiência e poder de uma rainha sabia que eu estava nas mãos dela. Sabia que eu ficava nervoso quando passava por ela, e isso a deliciava, talvez mais do que o prazer por vir.
Encontrava-a todos os dias no intervalo da faculdade, mas tentava mostrar-me mais confiante, seguro e como alguém que já havia vivido de tudo. Até desdenhava-a, fingia que nao a via, mas acabava dando uma olhadinha com o "rabo do olho".
E ela, com a poderosa intuição feminina, via nos meus olhos a aflição, a ansiedade que denunciava: esse garoto é virgem, sem dúvidas.
Os dias passaram e o jogo da sedução continuou, da minha parte, por saber ter chegado a hora, da parte dela, não sei... Talvez por saber que era ela quem estava no controle, era ela a toda poderosa.
Até que um dia, numa noite de maio, quando o frio já começava a reinar, passei por ela num momento em que não havia ninguém por perto. Era o momento perfeito para que se desse a fusão entre esses dois seres, e ela provocou: “Marco, sei que você quer prazer. Vejo como você me olha. Quero você e você me quer. Venha, que estou te esperando”. Eu, nervoso, trêmulo, quase perdi a oportunidade, por medo. Mas a necessidade de me tornar “homem feito” era maior: me virei, senti que chegara a hora, olhei-a com o olhar mais tranqüilo que consegui, e aceitei a provocação.
Nesse momento, o jogo da sedução terminara, e ela vencera do jeito que havia planejado: eu estava na frente dela, despido de meu pudor, pronto para o prazer, sem ligar se estava fazendo a coisa do jeito certo.
Não sabia direito por onde começar... o que fazer, onde colocar as mãos, onde colocar tudo o mais... porque nunca tinha feito, apenas ouvido falar...
Não lembro ao certo o momento exato, mas senti que ela esquentou sob minhas mãos, exalando um cheiro peculiar, acompanhado de um tremor que terminou pouco depois dos gemidos... Eu, apenas sentia o calor no meu corpo e os efeitos um tanto adocicados dessa maravilha até então desconhecida por mim.
Hoje não vivo mais sem esse prazer e não consigo entender porque demorei tanto para ter minha primeira experiência comparável a poucas coisas dessa vida.
E tem quem diga que esse prazer faz mal. Mas, desde quando o prazer de um bom café expresso com leite, levemente adocicado, faz mal?
Deve ser coisa de quem ainda não sentiu tal prazer...
Confesso que a máquina de café expresso ainda continua um mistério para mim, tal qual o telefone, a Internet, a TV por satélite, o rádio e outras coisas às quais as pessoas se acostumaram e não se perguntam: como pode isso ser assim, tão misteriosamente bom?

9.9.07

É Seu

O que eu não daria pelo seu rosto ?
Não daria nada menos que tudo;
Nada menos frio que a face da lua;
Nada menos quente que uma estrala ainda existente.

O que ofereceria ao seu beijo,
Além de meus lábios?
Ao seu abraço, meu corpo?
E ao seu amor, minha alma?

Mas não darei meu coração,
Por ser impossível lhe dar
O que já é seu.
_______
Por Marco Vicente Dotto Köhler

3.9.07

Horizonte

Constatou, inerte, mergulhado em si, que tudo que lhe restou foi o reflexo, nas lágrimas, do mar de luzes que se estendia à sua frente, infinito, até o horizonte indefinido do seu sentimento, de sua dor, que agora o anestesiava. Esperançoso, desejava que esta anestesia fosse para sempre.
_____
Por Marco Vicente Dotto Köhler

24.8.07

no final da rua...

Ele guardou o telefone no bolso, fechou os olhos e foi para o meio da rua escura. Esperava de bom grado qualquer coisa que viesse: um carro, um assaltante, um buraco.
Deixou que suas pernas o levassem, sem questioná-las sobre o destino. Apenas caminhou, sem ver, sem saber, sem sentir, anestesiado pelo que ouvira segundos antes, ao telefone, e sabia que fora a última vez que ouviria a voz da moça a quem entregara o seu coração, que foi por ela devolvido.
Mas isso agora não mais importava. Queria apenas sair daquele lugar, que era ele mesmo. Queria sair de si, para parar logo de sentir aquela dor.
Por outro lado, queria ficar exatamente onde estava, com toda a dor, pois era agora a dor o elo com a moça. E ele não queria esquecê-la, porque a esperança é uma desgraça.
Muitos pensamentos lhe vinham à mente, mas apenas um rosto, o rosto da moça, e sua voz, doce, suave, linda e inesquecível, que dizia “adeus”.
______
Por Marco Vicente Dotto Köhler

19.8.07

coisas... são assim.

Estou com saudade de gostar de você,
Estou precisando gostar de você
O que sei sobre o que preciso?
Quem sabe o que alguém precisa?

Quem é você afinal?
Onde está você?
Onde você existe?
Em meus pensamentos
Você parecia ser tão real!

Você lembra de mim?
De algo que eu lhe disse?
Você pode ao menos me dizer
Se eu existo?

Tantas coisas, tantos vazios,
Tantas estações...
Você desceu e eu não vi?

Tantos dias, tantas solidões...
Tantos sonhos, tantas lágrimas em vão,
Que se vão...
Mas deixam as marcas na erosão do tempo
Corrosivo, curativo, corroído.

Feridas curadas.
Cicatrizes que não nos esquecerão...

O tempo que ganhamos, O tempo que ficou...
As noites perdidas, Os dias que virão.

_____
Por Marco Vicente Dotto Köhler

6.7.07

Há corações no papel higiênico

Por favor, minha amiga,
Não derrame tuas lágrimas por mim.
Eu já chorei por nós dois,
E obrigado pelo teu abraço.

Eu estava cansado,
Mas não estou triste (mentira)
Já não tenho mais forças,
Quero dormir por uns dois séculos.
Tirar o cérebro da tomada por um tempo.

Sair deste planeta, de mansinho,
Pela porta dos fundos,
Sem que ninguém perceba.

Sinto saudade dos meus lunáticos amigos de marte,
Mas continuo aqui, caminhando na lama, nessa Terra de ilusões.

Mas é certo que um dia eu saio desse planeta, de mansinho,
Pela porta dos fundos, sem ninguém perceber.

______
Por Marco Vicente Dotto Köhler, em 31/05/2005.

28.6.07

penso que não penso

Às vezes, penso que não penso.
Se penso, penso. Pensando estou.
Será? Passou: seria.
Não pesnsei? Penso tanto em não pensar...
que penso não ter pensado.
Não: penso ter não pensado.
Mas, no fim das contas,
apenas penso não pensar.

--------//----------

Quando criança, passava, por vezes, horas tentando flagrar meu cérebro em um momento de não-pensamento.

Quando pensava que havia conseguido, meus pensamentos me advertiam: "hei! se você pensa que não está pensando, está aí um pensamento: não pensar!"
Isso me irritava. Só não sei se irritava mais mais do que nas vezes em que fiquei imóvel, olhando para o horizonte (geralmente com uma montanha e algumas nuvens), na tentativa de ver a Terra girar, ver a rotação da Terra.
Algumas vezes pude jurar ter visto. Mas eram as nuvens que se moviam. Engano puro, esse meu.
Será que eu deveria ter parado de pensar em ver a Terra girar, enquanto a observava? Talvez, assim, tivesse conseguido ver o giro da Terra e também conseguido o não-pensar.
Mas, também, será que teria conseguido - se isso acontecesse - flagrar o exato momento de não-pensamento?
___
Por Marco Vicente Dotto Köhler

25.6.07

Lord Darth Vader!

Esse aí é o Lord Darth Vader, eleito o vilão dos vilões!Darth Vader é o cara! não preciso dizer mais nada. É, e Ponto final!


O cara é tão "O Cara" que até os cachorros o adoram!

Isto é IN CRÍ VEL!



12.6.07

tenho tido

tenho TV a cabo, não tenho tempo para assistir.
tenho contrabaixo, não tenho banda para tocar.
tenho feito poesias, não tenho a quem declamar.
tenho a chance, não tenho mais para onde ir.
tenho como, não tenho mais os sonhos a realizar.
tenho visto estrelas cadentes, não tenho pedidos a fazer.
tenho a você, não tenho mais a mim mesmo.

17.5.07

A letra abaixo é a tradução de A Hard Rain's A-Gonna Fall, do cantor e compositor Bob Dylan.
Na minha modesta opinião, uma das letras mais belas já escritas.
É longa, mas vale a pena ler até o final...
Para ver a original, em inglês: clique.
__________________________

Uma Chuva Forte Vai Cair

Oh, onde você esteve meu filho de olhos azuis?
Oh, onde você esteve, meu jovem querido?
Tropecei ao lado de doze montanhas nebulosas.
Eu andei e engatinhei em seis estradas tortuosas.

Eu pisei no meio de sete florestas tristonhas.
Entrei e saí da frente de uma dúzia de oceanos mortos.
Estive dez mil milhas, na boca de uma sepultura
E é uma forte... é uma forte...
E é uma forte chuva que vai cair.

Oh, o que você viu, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que você viu, meu jovem querido?
Eu vi um bebê recém nascido
Com lobos selvagens lhe rondando
Eu vi uma estrada de diamantes sem ninguém sobre ela
Eu vi um galho negro com sangue que pingava
Eu vi um quarto cheio de homens
Com seus martelos sangrando
Eu vi uma escada branca toda coberta de água
Eu vi dez mil oradores
Cujas línguas estavam dilaceradas
Eu vi armas e espadas afiadas
Nas mãos de crianças pequenas

E é uma forte...é uma forte...
E é uma forte chuva que vai cair

E o que foi que você ouviu meu filho de olhos azuis?
E o que foi que você ouviu meu jovem querido?
Eu ouvi o som do trovão
E seu estrondo era um aviso
Ouvi o ronco de uma onda
Que poderia afogar o mundo inteiro
Ouvi mil bateristas cujas mãos estavam em brasa
Ouvi dez mil sussurrando e ninguém estava ouvindo
Ouvi uma pessoa morrer de fome
Ouvi muitos rindo
Ouvi a canção de um poeta que morreu na sarjeta
Ouvi o som de um palhaço que chorava no beco

E é uma forte... é uma forte...
E é uma forte chuva que vai cair

Oh, quem você encontrou meu filho de olhos azuis?
Quem foi que você encontrou meu jovem querido?
Eu encontrei uma criança jovem ao lado de um potro morto
Encontrei um homem branco
Que passeava com um cachorro preto
Encontrei uma jovem mulher cujo corpo estava queimando
Eu encontrei uma jovem menina, ela me deu um arco-íris
Eu encontrei um homem que estava ferido no amor
Eu encontrei um outro homem que estava ferido em ódio

E é uma forte... é uma forte...
E é uma forte chuva que vai cair

Oh, o que farás agora, meu filho de olhos azuis?
Oh, o que farás agora, meu jovem querido?
Vou voltar lá pra fora antes que a chuva comece a cair
Vou andar até as profundezas da mais negra floresta
Onde o povo é tamanhoE suas mãos são vazias
Onde as cápsulas de veneno estão afogando suas águas
Onde o lar no valeEncontra a prisão úmida e suja
Onde o rosto do executor está sempre bem escondido
Onde a fome é feia, onde as almas são esquecidas
Onde preto é a cor, onde nada é o número
E eu posso contá-lo e pensa-lo e dize-lo e respira-lo
E refleti-lo das montanhas
Para que todas as almas possam vê-lo
Então ficarei em pé sobre o oceano até começar a afundar
Mas eu conhecerei minha canção bem
Antes de começar a canta-la.

E é uma forte... é uma forte...
E é uma forte chuva que vai cair

(Bob Dylan)

15.5.07

América Andina

O Projeto América Andina: Relatos sobre os povos latino-americanos, consiste em uma viagem de bicicleta pela Bolívia e Peru, a ser feita por Maurício Haas, Elton 555 e este blogueiro que aqui escreve.
Confira abaixo o vídeo de um dos integrantes da expedição, Maurício Haas, em entrevista à TV Record, explicando um pouco sobre o Projeto.

A TV Record é parceira do projeto, inclusive para que posteriormente possa ser editado um vídeo-documentário com o material colhido durante a viagem.

11.5.07

Até o fim

Na busca de um elo perdido
Sinto seus olhos a me vigiar.

Profundas lembranças
Me rasgam ao meio,
Como raios cortam o céu
Quebrando o silêncio e
Iluminando a escuridão.

Cavalgando em cavalos mortos,
Procuro seus campos arrasados,
Esquecidos por todos, largados ao acaso.

Em longas batalhas,
Dei meu sangue pelo seu amor,
Restando ainda lembranças
Do seu lindo sorriso.

Em meu coração ferido por sua lança
E cortado por sua espada,
O que existe são restos de esperança.

Não ganhei tudo o que gostaria,
Mas lutei até o fim,
Sem perder tudo o que arrisquei.

Cansado lutar e pronto para a próxima,
Volto para casa honrado
Pelas batalhas que travei por ti.

_____
Por Marco Vicente Dotto Köhler

7.5.07

Todos os papas do Aurélio

Não agüento mais ouvir falar da visita do Papa ao Brasil. Fala-se sobre tudo, desde que seja relacionado com o Papa: o que o Papa vai comer; onde o Papa vai dormir; por onde o Papa vai passar; como é o palco onde o Papa vai fazer sua "sagrada" aparição.

Quando não estão falando nesse Papa, estão falando de seu antecessor, o João Paulo II. Dste também não páram de falar: quem conseguiu beijar o Papa; qual o "milagre" que o Papa fez; se irão beatificar o Papa ou não.
Enfim, a mídia está "virada num saco de Papa" - literalmente ou não.

Por isso, resolvi, com a ajuda de meu amigo Aurélio, colocar aqui todas as palavras com "papa", por ele encontradas:

Papa¹: o chefe supremo de qualquer Igreja.
Papa²: Qualquer substância mole e desfeita, quando cozida.
Papá;
Papa-açaí;
Papa-areia;
Papa-arroz;
Papa-arroz-preto;
Papa-breu;
Papa-cacau;
Papa-capim;
Papa-ceia;
Papa-coco;
Papa-coco;
Papada;
Papa-defunto;
Papa-defuntos;
Papádega;
Papado;
Papafigo;
Papa-filas;
Papa-fina;
Papa-formigas;
Papa-fumo;
Papagaiada;
Papagaiado;
Papagaial;
Papagular;
Papagaice;
Papagaiense;
Papagainho;
Papagainho-roxo;
Papagaio;
Papagaio-cabocio;
Papagaio-campeiro;
Papagaio-curraleiro;
Papagaio-da-serra;
Papagaio-de-coleira;
Papagaio-do-mangue;
Papagaio-do-peito-roxo;
Papagaio-grego;
Papagaio-poaieiro;
Papagaios;
Papagaio-urubu;
Papagaio-verdadeiro;
Papagalho;
Papa-gene;
Papa-goiaba;
Papagueador;
Papaguar;
Papa-história;
Papa-hóstia;
Papai;
Papaia;
Papaieira
Papaína;
Papai-noel;
Papa-isca;
Papa-jantares;
Papa-jerimum;
Papal;
Papa-lagarta;
Papa-laranja;
Papa-léguas;
Paplino;
Papalvice;
Papalvo;
Papa-mamão;
Papa-mel;
Papa-mico;
Papa-missas;
Papa-mosca;
Papanaz;
Papnça;
Papandório;
Papanduvense;
Papangu;
Papa-novenas;
Papão;
Papa-ova;
Papa-ovo;
Papa-peixe;
Papa-pimenta;
Papa-pinto;
Papar;
Paparicar;
Paparicho;
Paparicos;
Papariense;
Papariába;
Paparraz;
Paparreta;
Paparriba;
Paparrotada
Paparrotagem;
Paparrotão;
Paparrotear;
Paparrotice;
Paparrotona;
P-á-pá-santa-justa;
Papa-santos;
Papa-sebo;
Papasararu;
Papáta;
Papa-tabaco;
Papa-taoca;
Papa-terra;
Papa-terra-de-assovio;
Papa-terra-de-mar-grosso;
Papável¹: que se pode papar ou comer.
Papável²: diz-se do cardeal que tem probabilidade de ser eleito papa.
Papa-vento;
Papveráceas;
Papaveráceo;
Papaverina;
Papazana;
____________________
E tem aquela banda: Papas da Língua...

Ufa! Acho que já falei a minha cota sobre "papa" por um bom tempo.

_____
por Marco Vicente Dotto Köhler® - todos os direitos reservados

6.5.07

Meu nome é Enéas!

Morreu ontem, 06 de maio de 2007, aos 68 anos, em decorrência de leucemia, o Deputado Federal Enéas Ferreira Carneiro, que será sempre lembrado por todos principalmente por seu bordão: "meu nome é Enéas!".

Uma lembrança dessa figura inesquecível.

"Com barba ou sem barba, meu nome é ENÉAS!"

Aqui outro discurso de Enéas, com direito a críticas ao atual modelo político brasileiro.

25.4.07

Solução? Sarcasmo? Premonição? Um dia saberemos(?)

A solução para o aquecimento global e para a escassez energética no planeta Terra é simples. Haverá quem diga que é trabalhosa. Mas, ainda assim, simples: Os EUA, juntamente com a União Européia - traduz-se por OTAN - (quem sabe, por ser em prol da salvação do Planeta, China e Japão não resolveriam participar?) poderiam invadir militarmente o Brasil, matar todos que aqui vivem e então utilizar o território todo para plantar cana, mamona, milho, girassol, e demais fontes de biocombustível (renováveis). Pronto! Problemas resolvidos
A longo prazo - bem longo - haveria o equilíbrio climático e o mundo seria, enfim, novamente um Planeta límpido e desaquecido, pronto para ser explorado até a exaustão.
Dos fósseis dos que habitavam antes da invasão poderiam ser extraídos combustíveis fósseis, quem sabe até petróleo.
Então somos nós, os brasileiros, os responsáveis pela solução do aquecimento global. Basta sugerirmos que invadam nosso país (antes que eles o façam sem convite) e nos matem a todos, pois não queremos nada em troca, apenas queremos deixar esse mundo estando de consciência tranqüila, sabendo que salvamos a Terra de se acabar em chamas. E tudo voluntariamente, sem que ninguém nos obrigue, para que sejamos lembrados como um povo bom e pacífico, que salvou a Terra da destruição, permitindo o reinício do ciclo de uma nova degradação.
_____
Por Marco Vicente Dotto Köhler.

19.4.07

ah!... se fosse mesmo assim.

Não, não sabemos nada.
Eu apenas queria que você soubesse.
Só sei disso: desconfio do que sinto.
Duvido de que sentes.

Quem dera nos amássemos.
Não há perfeição, apenas na ilusão.
Então, nao seria melhor assim:
iludir-me que nos amamos?

Se fosse mesmo assim...

13.4.07

é. seria. ou nada.

Tenho vontade de chorar.
Suspenso e mergulhado nesse denso (m)ar de palavras.
Escolho-as. Escolhem-me.
Teus lábios. Melancolia. Ou nada.

Onde está o que perdi?
Nunca tive.
Imã sem lógica. Teu rosto. Teu ser.
Não posso. Me afasto.
Ilha de mim. Aah! Não me ouço.

Teus olhos. Meu olhar, sem fim... em você.
Não aceito. Nego.
Quero. Não quero. Não, quero. Não posso.

Passo adiante. Atraso.
Vale mais a pena a pena das palavras:
Sem peso. Sem riscos. Sem culpa. Sem pena. Sem dor.
Fim em si. Natimorta realidade.

Vida às cogitações. Impossíveis.
Impassível, eu. Não.
Você: centro, gravitação.
Sorri. Estremeço. É forte.
Quero. Não posso. Nego.
Não quero querer. Desejo.
Não entendo.

Chuva. Sol. Noite. Céu. Nós.
Só eu. Eu, só. Ilha de mim.
Você não sabe.
Sinto. Sentimos, no olhar. Sabemos, sim.
Negamos. Desejos.
Ainda não é chegada a hora.
Adeus!

Epílogo.
É muito tempo.
Tempo, não temos.
Hoje, já passou.
Amanhã, não sabemos.

Palavras. Só palavras. Só.
Só, não. Somos. Seríamos.
Agora, adeus.
E até logo mais.

28.3.07

... e não sou piegas!

O que posso dizer dessa mediocridade,
dessa hipocrisia, dessa busca pelo "poder"?
Rir. Só me resta rir. Pobres coitados!
Quero conhecer, viajar, saber, sentir, amar.
E não sou piegas!
_____
Por Marco Vicente Dotto Köhler.

22.3.07

O traidor

O ônibus estava no meio do caminho, no trajeto de aproximadamente 50 km, que percorria diariamente.
Estava lotado, mas sem ninguém em pé. Naquele horário era normal que estivesse lotado, pois era o horário que os estudantes voltavam da faculdade na cidade vizinha. Nesse dia, não fora diferente.
Um casal, sentado na parte mais à frente, poltronas 7 e 8, mais ou menos, estava a conversar, normalmente. Normalmente para um casal apaixonado, pois estavam sempre trocando beijinhos, afagos e olhares que só se vê em casais apaixonados.
De repente, a namorada, uma moça, já com seus vinte e tantos anos, afasta-se de seu namorado, quase se encostando na janela, e pergunta, entre a incredulidade e a indignação:
- como é que é?! Esteve com ela essa noite de novo?
- mas foi só para dormir – tentou explicar ele.
- “só para dormir”? Quanto cinismo! Que cara-de-pau você, hein! Seu canalha! Cafajeste!
- amorzinho, já disse, gosto dela, mas só para dormir, não tenho mais nada com ela.
- não acredito que você fez isso e ainda tem a coragem... coragem, não! Safadeza, de me contar. E ainda se desculpa, dizendo que é “só para dormir”! que “não tem nada com ela”! I-NA-CRE-DI-TÁ-VEL!! – já entre dentes, tremendo de raiva.
- mas, meu bem – tentou ele novamente – o que é que tem demais nisso? Gosto de passar uma noitezinha com ela de vez em quando. É bom.
- inacreditável, mesmo! Vou esganar você! Torcer teu pescoço! O que é que você estava pensando, hein?!
- mas...
- chega de “mas”! “mas isso”, “mas aquilo”! Credo! Você deveria se envergonhar de dormir com ela. Com E-LA! Ainda se fosse outra... hah! Mas não, tinha que ser justamente ela, aquela maldita camiseta daquela banda que não suporto! Nem o nome quero dizer! Uich! Que ódio!
- amor, não fica assim.
- não me venha com mais desculpas, já te falei sobre isso. Você sabe muito bem que...

As luzes do corredor forma acesas. Era o meu ponto. Desci. Fiquei curioso para saber qual banda pode ser assim tão odiada...
_______
Por Marco Vicente Dotto Köhler

14.3.07

Concurso Literário

A Revista Piauí está promovendo, mensalmente, um "concurso literário", que consiste no seguinte: "Se você acha que tem talento para as letras, participe do concurso Encaixe a Frase, mais uma estupenda idéia de piauí. A coisa funciona assim: todo mês, publicaremos uma frase sem pé nem cabeça. Ao leitor-candidato caberá desenvolver um contexto que a torne sensata, que lhe confira pé e cabeça – se tiver tronco e membros, melhor ainda. Os textos poderão conter 3.200 caracteres (com espaços) e devem ser enviados até o dia 20 de cada mês para o endereço encaixe@revistapiaui.com.br. O melhor deles sairá na revista – ou seja, perdurará na língua portuguesa pela eternidade afora. À medida que as tentativas forem chegando à redação, desde que não assustem crianças, parlamentares ou a bispa Sônia, ficarão expostas à impiedade do juízo público aqui no site. Não deixe de informar seu nome completo e a cidade de onde escreve. Frase do mês de fevereiro 2007: 'Mas Alice, eu já disse que não sou mitômano!'
Eu, como todo viciado em escrever, resolvi participar do tal concurso. Não fui o vencedor. Nem esperava - Abre-se, aqui, uma discussão filosófica importante: "se não esperava vencer, por que participei?" mas isso é assunto para outro dia.
Já que não foi publicado na Piauí, publico no Coisas de Marco o texto em que encaixei a "frase do mês", com o qual concorri.
__________ //_________
São todos gregos
- oi, Alice.
- oi, tudo bem?
- tudo, e você?
- olha, estava aqui pensando numa palavra que acabei de ler... “mitômano”. O que será?
- ah! Vem do grego.
- sério? Como você sabe?
- todos os mitos são gregos.
- mas você sabe exatamente o que é?
- sim, com certeza. Mitômano é a pessoa que é irmã do mito. Entendeu?
- mais ou menos...
- assim, oh: ele é mano do mito, entende? Por isso, “mitômano”.
- não sei não. Estava pensando que pode ser romano. Sabe por quê?
- hm...
- “mi-tô-ma-no”. “Mano”, de Romano. E “mito”... bem, de mito, claro.
- não, é grego. Garanto.
- garante?
- sim. É grego porque, além de todos os mitos serem gregos, é uma palavra essencialmente grega.“Mito”, vem de “mythos”, que significa... ah! Você sabe: “mito”; e “mano”, vem de “hermanos”, assim como os argentinos, que também são descendentes de gregos, falam.
- continuo com minhas dúvidas... mas, já que você conhece e sabe do que está falando, os mitômanos eram confiáveis, assim como seus irmãos, os mitos?
- olha, Alice, claro que nem todos os mitos são bons, verdadeiros, honestos. Alguns mentiam, trapaceavam... essas coisas. Como o mito do trovão de Atenas, que fez com que os Troianos perdessem a guerra dos cem anos.
- foi na Grécia essa guerra aí?
- claro que foi. As guerras da antiguidade também são todas gregas.
- você é um mito.
- não, o que é isso.
- ah! Mas um “quase mito”, você é. E deve ser irmão de um mito em outra vida, para saber tanto assim das coisas.
- Eu, mitômano? Não, não.
- é, sim. Você é quase um mito. Sabe de todas as coisas que eu pergunto. Você tem todas as respostas e nunca mente para mim... isso é coisa de mito. Ou, pelo menos de irmão de mito.
- não é bem assim...
- claro que é! Você é um mitômano, admita.
- não, não sou, não.
- é!
- não sou!
- é, sim.
- não sou, não insista!
- eu sei que você é!
- pára com isso!
- você é sim, veja o teu nome: José Antônio.
- o que tem isso?
- isso, nada, mas o teu irmão é Hamilton.
- e daí?
- daí que chamam o teu irmão de “Milto”. E “Milto” é quase “mito”.
- tudo bem, “Milto” é quase “mito”, mas Alice, eu já disse que não sou mitômano.
- está bem. Acredito em você, já que você não mente.
__________ //_________
Por Marco Vicente.

28.2.07

Esdrúxulo!

Esdrúxulo é a palavra mais esdrúxula que já ouvi na minha vida. É de um esdruxulismo sem igual.
Por falar nela, alguém aí já viu um esdrúxulo? Ou uma esdrúxula? Pois é, acho que de fato ela não existe. E isso só a torna ainda mais esdrúxula. É tão esdrúxula que é quase inalcançável.
Depois de exaustiva pesquisa sobre a origem de tal esdrúxula palavra, descobri uma possível, e bem plausível, origem. Sua existência, porém, ainda não foi comprovada.

Origem
Acreditem ou não, a palavra “esdrúxula” tem sua origem nos Druidas, que eram os sacerdotes entre os gauleses e bretões.
Mas não é tão simples assim. Os Druidas, por serem sacerdotes, grandes conhecedores da ciência dos cristais, bem como ocuparem o lugar de juizes, doutores, adivinhos, magos, médicos, astrônomos, etc., conheciam várias práticas religiosas, cerimônias e rituais. Além disso, acreditavam na força da natureza e esta como sendo parte de Deus, ou Deus (Deuses, ao que se sabe), como parte dela e representados nela, a Mãe natureza.
Isso os levou a conhecerem melhor a natureza, principalmente as plantas e cristais e seus poderes de cura e formas e métodos de aplicação. Eram conhecedores, também, de rituais de cura, os nos quais mesclava-se a cura medicinal com a espiritual.
Por essa cultura e suas práticas, foi-lhes agregada a fama de curandeiros, bruxos, o que, de certa forma, visto pelo ponto de vista atual, de fato o eram.
A “Santa” Inquisição, como todos sabem, era o órgão da Igreja Católica encarregado de assegurar a hegemonia do catolicismo, em detrimento, é claro, de quaisquer outras práticas religiosas ou ritualísticas que se afastassem das pregadas por ela (Igreja).

Decadência ou ascensão?
Os Druidas, tidos como bruxos e bruxas, tiveram que fugir e se esconder para não serem queimados nas “santas” fogueiras da Inquisição. Muitos foram capturados e queimados.
Mas não todos. Os que conseguiram sobreviver eram chamados de ex-bruxos, ou, ainda, o que era mais comum, ex-druxos, que é a mescla de Druida e bruxo.
Porém, o que poucos sabiam é que os ex-druxos continuaram com suas práticas religiosas, mas só as praticam escondidos ou em reuniões secretas.
Com o passar dos anos os ex-druxos, por ninguém ver se, de fato, eles continuavam com seus rituais, foram se tornando uma lenda, um mito, no imaginário popular, quando já eram chamados, por desconhecida mutação, de “esdrúxulos”.

Reza a lenda que os “Esdrúxulos” ainda existem, mas vivem em um lugar (ou lugares?) secreto e no qual só chega quem já está em um grau esdrúxulo de seus esdrúxulos ensinamentos de esdruxuolismo. Sabedoria que, segundo atualmente atestam esdrúxulos estudiosos, é milenar e poderosa. Tão poderosa que chega a ser esdrúxula.

Como ser um esdrúxulo?
Os grão-mestres do esdruxuolismo têm suas técnicas e meios esdrúxulos de escolher os que serão escolhidos para ingressarem nos estudos e iniciações ritualísticas, teóricas e práticas, do esdruxuolismo, mas não se tem conhecimento de ninguém que saiba ao certo quais os métodos de escolha.
Escolhidos os aprendizes (iniciados) e se na iniciação conseguirem atingir o nível esdrúxulo exigido, tornar-se-ão “Esdrúxulos”, sendo, por fim, reconhecidos como tal, em uma espécie esdrúxula de batismo, da qual só se tem rumores, mas nada que a comprove.

Esdrúxula Conclusão.
Por toda essa esquisitice que ronda os “Esdrúxulos”, não haveria, por certo, outra maneira de descrever e falar sobre a palavra esdrúxulo (ou esdrúxula), que, segundo o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, traz como sendo “esquisito, excêntrico” o significado da palavra “esdrúxulo”.
Mas, segundo o mesmo dicionário, “esdruxular” é “versejar com esdrúxulos”, donde pode se denotar que existiu um povo “Esdrúxulo”.
No entanto, se realmente a palavra esdrúxula, com todas as suas esdrúxulas conotações, surgiu de uma certa seita de Druidas bruxos (ou bruxos Druidas), disso será difícil saber / se conhecer com certeza a verdadeira história.

13.2.07

Cinema em números

Abaixo (como poderia estar acima se o texto apenas começou?) alguns dados do cinema nacional e internacional no século XX e XXI:

UM estranho no ninho
Jogos, trapaças e DOIS canos fumegantes
Contatos imediatos de TERCEIRO grau
Diabo a QUATRO
O QUINTO elemento
O SEXTO sentido
Bicho de SETE cabeças
O OITAVO dia
NOVE vidas
DEZ
ONZE Homens e um segredo
DOZE homens e uma sentença
TREZE dias que abalaram o mundo
14 Bis
QUINZE minutos
SIXTEEN candles
DEZESSETE anos
EIGHTEEN Springs
DEZENOVE Mulheres e Um Homem
20 Encontros
21 Gramas.

Bem, após essa primeira temporada de 24 horas de pesquisas e mais de 20.000 léguas submarinas internéticas foi possível elaborar essa lista de filmes em seqüência numérica, que por ora pára por aqui.

Mas no cinema a festa nunca termina.

Abraços a todos e até a próxima.

___
Por Marco Vicente Dotto Köhler

11.2.07

Ela não se encontra

Uma simples pergunta, normalmente ao telefone, pode ensejar resposta de tamanha profundidade filosófico-existencialista como “ela não se encontra”.
O que essa resposta, aparentemente simples e despretensiosa, pode abrigar?
Bem, se alguém não se encontra, quer dizer que ela não encontra a si mesma, não é? Portanto, não será, talvez, hora dessa pessoa parar para pensar o que pretende de sua própria vida? De sua existência na Terra? Quais os objetivos? Como fazer para alcançá-los?
Ou simplesmente seguir em uma direção, sem olhar para trás? Assim, essa seria a sua direção e ela não estaria perdida. Não estando perdida, não mais precisaria procurar se encontrar e quando alguém perguntasse por ela nunca mais se ouviria dizer que ela não se encontra.
Aliás, fica uma pergunta: conseguirá encontrar um recado a pessoa que nem mesmo se encontra?

1.2.07

terrível dúvida da humanidade

Apresento aqui mais uma dúvida da humanidade. Bem, não sei se de toda a humanidade. Ao menos de minha cota como parte da humanidade. Uma dúvida, enfim. Das grandes.
Chega de conversa, a dúvida é a seguinte: “anão”, seria uma pessoa muito pequena ou um grande ano? Ahn?
Ou seria, ainda, segundo a teoria do Atítulo, criada pelo Loucos de Todo Gênero, o contrário de “não”; sim, portanto?
Pode ser, também, apenas uma forma contraída e distorcida, mas foneticamente correta, acredito, da expressão “ah, não!”.
O importante mesmo é colocar em discussão as dúvidas da humanidade, como essa, terrível, para tentar saná-las antes que elas nos deixem insanos.

26.1.07

OK – Origem histórica (sério!)

Bom, a teoria de que a expressão OK tenha surgido para designar algo contrário a Knockout (nocaute), que se abrevia KO e vem do boxe, com o significado de que algo deu errado para um dos lutadores, pois quem foi nocauteado perdeu a luta e, assim, OK, por ser o contrário de "KO" seria algo bom.
Após breve pesquisa, mas séria, (não breve pesquisa em minha mente imaginativa) descobri que existem algumas teorias, entre as quais duas me chamaram a atenção:
Uma, indica que o OK surgiu durante a guerra da secessão, (Estados Unidos, de 1861 a 1865), pois quando as tropas voltavam de uma batalha sem nenhuma baixa indicavam tal façanha com uma placa com a inscrição “0 Killed”, ou seja: zero mortos. O que, obviamente, significa que ocorreu tudo bem. Na língua inglesa, “zero” é pronunciado mais ou menos como “ôuh”, e , abreviando-se, chegou-se a OK.
Outra, um pouco mais complexa, defende que a expressão surgiu, também nos Estados Unidos, da abreviatura da expressão “all correct”, que, na forma ortográfica do século XIX, escrevia-se “oll korrect”. Essa mesma teoria acredita que tal expressão, abreviada pra OK, teria se popularizado na campanha presidencial de 1840, usado como slogan do candidato Martin Van Burnen, cujo apelido era Old Kinderhook.

24.1.07

O.K.: origem histórica (será?)

Vou contar a origem da expressão "O.K".
No boxe, um lutador pode vencer por pontos ou por nocaute. Nocaute vem da expressão Knock Out, que quer dizer, em tradução livre, "chutado para fora". Ou seja, quando um lutador cai e não consegue se levantar dentro da contagem de tempo efetuada pelo juiz da luta, há o Knock Out, que é abreviado em K.O.
Agora é fácil vislumbrar a origem da expressão O.K.
Sim, realmente fácil, pois, se ser nocauteado (knockauteado) é ruim, o contrário será ótimo.
O contrário da abreviatura K.O. é O.K., que, por óbvio, é bom, ótimo até. porque, mesmo que não se tenha vencido, ao menos conseguiu-se chegar ao final na luta.
Acredite quem quiser. (ou quem puder).

_____
Por Marco Vicente Dotto Köhler

23.1.07

Simples coisas da vida...

Ele tomou café estragado.
Estava com dor nas costas.
Colocou mais açúcar.
Não adiantou nada,
sua alma azedara.

____
Por Marco V. Dotto Köhler