Pesquise

Carregando...

10.8.13

O nome define a pessoa?

Será que as pessoas são definidas pelos seus nomes? Seria eu uma pessoa diferente se tivesse sido registrado com um nome diferente? Ou meu amigo Kelvim, que até escreveu um texto em seu site sobre a visão que tem de seu próprio nome, quem seria ele se, por exemplo, se fosse Paulo seu nome? Pergunto-me se Jimi Hendrix fosse chamado, sei lá, de Wilian Foster, ou outro qualquer, teríamos tido a revolução na forma de tocar guitarra que foi feita por Hendrix?
Creio que seja difícil responder a essas questões, pois envolvem muitas outras, que geram outras tantas e no fim acarreta um emaranhado de possibilidades, filosofias, pontos de vista religioso-metafísicos que não sei se seria possível chegar a uma conclusão plausível.
No entanto, posso falar por mim. Luiz Alberto, meu pai, tem dois irmãos que morreram de forma trágica, são eles João Vicente e Marco Antônio. Este, falecido apenas dois anos antes de meu nascimento.
Assim, meu pai queria, a princípio, homenagea-lo batizando seu filho, eu, com este nome. Minha mãe, Ana Elisa, não se sentiu à vontade, pois achou que era muito recente a morte do Ico, como todos chamavam o Marco Antônio.
Meu pai sugeriu, então, João Vicente, mas novamente minha mãe torceu o nariz, pois disse não conseguir imaginar um filho com nome João, mas que gostava de Vicente. Decidiram, então, mesclar os dois nomes e me batizaram assim, Marco Vicente.
De fato, identifico-me com este nome, Marco Vicente, obviamente, por ser meu nome, mas também, talvez, pela história por trás dele, que acaba remetendo a outras histórias e criando um vínculo estranho com esses tios que não conheci, o que, certamente, influenciou de alguma forma minha personalidade, pois eu crer, quando criança, que tinha uma ligação cósmica, cármica, ou coisa assim, com o tio Marco Antônio, indubitavelmente contribuiu para eu ser quem sou hoje.
Mas essa não é toda a história. Meu nome, se dependesse exclusivamente da vontade da Sra. Ana Elisa (com "esse", pois se escrever com "zê", ela não gosta!), seria outro, muito estranho: seria... na verdade, é difícil dizer, melhor nem falar, pois não consigo imaginar-me sendo chamado do jeito que seria, ou pelas variações de apelidos que gerariam e, acredite, eu teria sofrido muito "bulling" caso fosse batizado com nome indizível que minha mãe queria.
Então, acredito que, sim, o nome pode ser fundamental para definir uma pessoa, mas individualmente, não de forma rotulada e genérica, como uma tabela:  todos os Marco são assim; todas as Maria são assim, etc.
Talvez tenha deixado curioso o leitor ou leitora, e vou revelar o nome que minha mãe queria para mim: meu nome seria U... vou respirar fundo e tentar de novo: seria U... Desculpe, mas só de pensar que poderia ter sido chamado assim, sinto um frio na espinha e um pensamento me assombra: eu poderia não ser eu mesmo e, portanto, não existir da forma que existo, pelo simples fato de me chamar U...
 
____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, agosto de 2013

11.5.13

Vai e vem...

Vida desgraçada,
De esperança esquecida
Quer reaparece dosada
Sempre acompanhada
De uma bela morte anunciada.


____
Marco Vicente Dotto Köhler, maio 2013

5.12.12

Ensaios


A noite se arrasta.
O dia se arrasta.
A vida se encurta.

Rastejo pela noite.
Seguro as pontas de dia.
Espero que tudo se acabe.

Preparo-me para a vida.
Ensaio seus atos.
Não percebo: já começou.

Vida, noite, dia, ensaios.
Dia, vida noite curta.
Noite, dia, vida, acabou!

_______
Por Marco Vicente Dotto Köhler, 2012

4.12.12

Estilhaços


Preciso alimentar minha existência.
De decadência, já estou cheio!
Cheio de vazio, cheio de nada.
E de tudo.

Os muros que construí
Para proteger meu coração
Já não protegem mais:
Só guardam os entulhos
Do que restou!

Ainda há espaços entre os estilhaços,
Que tento remontar a cada instante.
Instantes em pedaços,
Que vivo...

____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, 2012

27.11.12

Sombras Desleais


Odeio o entardecer
Porque sinto que o dia se esvaiu;
Perdeu-se em meio a planos e sonhos
Que não se realizarão.

O amanhecer me desespera,
Por mostrar um horizonte
Em que não chegarei.
Não como sempre sonhei.

Chegamos tão perto
E agora já não nos olhamos.
Olhares que se imantavam,
Perderam seu poder de atração.

Tudo ficou tão frio de repente.
Mas já não queremos aquecer
Os mesmos cobertores que
Outrora fizemos de casulo.

Não odeio o entardecer
Apenas o vazio que se esconde
Em suas sombras desleais.
Vazio escuro que tento entender.

O amanhecer já não me desespera,
Traz consigo a esperança de aquecer
Todo o frio e iluminar e preencher
Toda escuridão e vazio que há em mim.

____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, em um dia qualquer...