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22.11.07

Aniversário...

Quando criança queria ir à Lua
E ver o que tem pro lado de lá.
Na volta, queria passar por dentro das nuvens,
Bem devagarinho, pra poder pegar um pedacinho
E guardar numa sacola, pra ver como é que é.

Passa o tempo, passa o sonho, passa a vida.
E a essas alturas, já tenho medo de altura


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Por Marco Vicente Dotto Köhler.

20.11.07

Humberto Gessinger.

Gosto muito da banda Engenheiros do Hawaii. Talvez porque ouço desde minha infância e seja praticamente uma das trilhas sonoras de minha vida.
Infinita highway, por exemplo, me faz lembrar do dia em que fui à pista de motocross de Itapiranga-SC, minha cidade natal, no motorhome do piloto Chumbinho Becker, para vê-lo treinar. Foi um dia inesquecível. E a música me faz sentir até o cheiro do motor dois tempos da Suzuki é o cheiro do motor dois tempos da Suzuki RM 250cc misturada à poeira levantada pelos pneus, dos óculos que o Chumbinho usava, que tinha imagens em 3-D.

Seriam tantos relatos de músicas-memórias que poderia ser feito um livro. Mas acho que ninguém leria. Serviria mais para numa eventual perda de memória eu poder lembrar de coisas boas da minha vida.

Mas, como ia dizendo, gosto muito de Engenheiros, e, por conseqüência, do Humberto Gessinger. Admiro muito o trabalho deste cidadão, este contra-baixista, compositor e letrista e uma das coisas que gostaria muito é de conhecê-lo pessoalmente, para poder bater um papo e aprender alguma coisa com ele, assim como a gente aprende ao ouvir histórias contadas pelos avós, pais, tios e amigos mais velhos.

Tentativas e relatos
Para tanto, na esperança de poder conhecer Humberto Gessinger, fiz algumas tentativas, todas frustradas, como não poderiam deixar de ser.

Relatos-as aqui:
Fui a um show dos Engenheiros do Hawaii no Mariscão, na praia da cidade de Jaguaruna-SC. neste show fiquei, junto com dois primos e uma prima, bem em frente ao palco. Estava de boné e, no meio da apresentação me deu um negócio e coloquei o meu nome, endereço e numero do telefone residencial em um boné e atirei no palco, certo de que receberia uma ligação ou uma visita. Obviamente, nunca ocorreu. Mas, mesmo assim, mais ou menos um ano depois, quando troquei de endereço e telefone fiquei preocupado, pois “vai que resolva ligar”...
Algum tempo depois, tive outra idéia brilhante: ligar para a companhia telefônica do Rio Grande do Sul e pedir, educadamente, o número do telefone do Humberto Gessinger. A atendente foi solícita, pedindo, “apenas” o endereço dele para que eu pudesse receber em contrapartida o número do telefone. A tentativa findou com um “boa noite” e “muito obrigado”, sem resultado positivo.

O empecilho do endereço foi milagrosamente resolvido no dia que ouvi a música “e-stória”, em que Humberto Gessinger e Carlos Maltz “conversam” na letra da música, e num trecho há o seguinte diálogo:
“- Adriane e Clara mandam beijos pra vocês, (coisas que não cabem nos encartes dos CDs).
- Talvez no final do ano ou talvez no final do mês, dou um pulo em Porto Alegre (Silva Jardim 433)”.
Sim. Tudo estava resolvido. Tinha finalmente conseguido o endereço do cara. Nada feito. Não deu certo.

Solução internética
Desanimado, mas não sem esperança, encontrei, no encarte de um álbum, um endereço de e-mail. Pronto!, pensei. Mandei um e-mail dizendo o quanto gostava do trabalho da banda e o quanto admirava H. Gessinger, e mandei uma poesia para que, se ele quisesse, musicasse e gravasse no próximo album. Eu tinha 16 anos de idade. Um tempo depois, enquanto checo a caixa de entrada do meu e-mail e vejo os remetentes “Kelvim, Mel, Americanas.com, Humberto Gessinger, Livraria Saraiva...” Humberto Gessinger? Sim, ele respondeu. Pensei se tratar de vírus, mas não era. Era um e-mail simples, agradecendo a admiração e mandando um abraço, sem nada falar da minha poesia. Fiquei feliz. Meus amigos me tiraram para mentiroso. Mas mostrei o e-mail e tudo resolvido.

Mas minha saga ainda não havia terminado. Meu objetivo era conhecer Humberto Gessinger, oras!
Então, depois de outro show, desta vez em um ginásio em Criciúma-SC, em que tirei várias fotos, inclusive algumas em que ele olhava para a câmera, e outra no exato momento em que a bandana cai da cabeça dele. Tentei entrar no camarim. Nada feito. Mandei as fotos para ele. Sem resposta.

QUE RAIVA!!
Tempos depois, meu amigo contou que teve a chance de entrar no camarim e bater um papo e algumas fotos com ele, mas recusou a proposta. “Não gostava tanto de Engenheiros na época”. Ô sorte. Ô azar!

Uma luz no fim do túnel e não é um trem na contra-mão
Em 2006, em um momento da minha vida em que não sabia para onde ir, se para o Tibet ou para Miami, fiz uma última tentativa de conhecer Humberto Gessinger.
Me propus, via e-mail, pois era o único meio que havia tido algum retorno, a ser roadie da banda, pois sou um aprendiz de contrabaixista e iria adorar ser carregador de coisas, montador de palco, afinador de instrumento, ou o que quer que fosse, apenas para poder conhecê-lo e também fazer algo diferente na minha vida... viajar um pouco, conhecer lugares e pessoas. Junto com o pedido, mandei uma poesia (ruim, diga-se de passagem) em que relatava que ser roadie era a única “luz no fim do túnel” naquele momento de minha existência nessa Terra. Recebi resposta educada, mas nada feito. Acho que ele já tinha roadies suficientes.
Tive que continuar minha vida como estava, minha faculdade de Direito, meu estágio e assim por diante.

Desistir, jamais!!
Depois de tudo isso, acabei me resignando com a situação: estudar era o caminho, e então, advindo dessa vontade de estudar aliada à não esquecida vontade de conhecer H. Gessinger, tive outra brilhante idéia. Brilhante, não. Genial: depois de formado em Direito cursarei uma faculdade de História e farei meu Trabalho de Conclusão de Curso sobre a relação de determinado álbum dos Engenheiros com a História do Brasil. Assim, talvez tenha a chance de conhecer este cidadão chamado Humberto Gessinger.
Claro que não vou falar qual o possível tema do TCC, pois vai que alguém queira copiar essa idéia de “gênio” e acabe frustrando novamente minha tentativa?
É um plano um tanto demorado, pois o TCC seria feito daqui uns cinco anos. Mas, quem sabe, né?

Enquanto isso, a vida passa...

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Por Marco Vicente Dotto Köhler, um fã declarado, sim, e com personalidade.

Ps.: Humberto Gessinger, se acaso ler este relato e por ventura quiser entrar em contato, meu e-mail mudou para chemarcolino@yahoo.com.br.

“se isso não der samba, pelo menos dá um abraço”

4.11.07

O que você pensa?

Penso que tudo está bem,
Que não está nada certo.
Que é hora do fim

Penso que tudo virou caos.
Que tudo está tranqüilo.
Que talvez seja comigo.

Penso que me sinto bem sozinho.
Que preciso de carinho,
Que dormindo é que estou vivo.

Penso que algo me machucou.
Que me cortei sozinho.
Que vai cicatrizar um dia.

Penso na esperança a que me agarro,
Que leva para longe.
Que do alto a queda é fatal.

Penso no que mais que penso:
Que tudo acaba, cedo ou tarde;
Que me demito da existência;
Que vomito decadência;
Que já não tenho paciência;
Que quase desisti e me assustei;
Que fui à beira, e não pulei;
Que falei coisas que você não quer saber.

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Por Marco Vicente Dotto Köhler