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10.8.13

O nome define a pessoa?

Será que as pessoas são definidas pelos seus nomes? Seria eu uma pessoa diferente se tivesse sido registrado com um nome diferente? Ou meu amigo Kelvim, que até escreveu um texto em seu site sobre a visão que tem de seu próprio nome, quem seria ele se, por exemplo, se fosse Paulo seu nome? Pergunto-me se Jimi Hendrix fosse chamado, sei lá, de Wilian Foster, ou outro qualquer, teríamos tido a revolução na forma de tocar guitarra que foi feita por Hendrix?
Creio que seja difícil responder a essas questões, pois envolvem muitas outras, que geram outras tantas e no fim acarreta um emaranhado de possibilidades, filosofias, pontos de vista religioso-metafísicos que não sei se seria possível chegar a uma conclusão plausível.
No entanto, posso falar por mim. Luiz Alberto, meu pai, tem dois irmãos que morreram de forma trágica, são eles João Vicente e Marco Antônio. Este, falecido apenas dois anos antes de meu nascimento.
Assim, meu pai queria, a princípio, homenagea-lo batizando seu filho, eu, com este nome. Minha mãe, Ana Elisa, não se sentiu à vontade, pois achou que era muito recente a morte do Ico, como todos chamavam o Marco Antônio.
Meu pai sugeriu, então, João Vicente, mas novamente minha mãe torceu o nariz, pois disse não conseguir imaginar um filho com nome João, mas que gostava de Vicente. Decidiram, então, mesclar os dois nomes e me batizaram assim, Marco Vicente.
De fato, identifico-me com este nome, Marco Vicente, obviamente, por ser meu nome, mas também, talvez, pela história por trás dele, que acaba remetendo a outras histórias e criando um vínculo estranho com esses tios que não conheci, o que, certamente, influenciou de alguma forma minha personalidade, pois eu crer, quando criança, que tinha uma ligação cósmica, cármica, ou coisa assim, com o tio Marco Antônio, indubitavelmente contribuiu para eu ser quem sou hoje.
Mas essa não é toda a história. Meu nome, se dependesse exclusivamente da vontade da Sra. Ana Elisa (com "esse", pois se escrever com "zê", ela não gosta!), seria outro, muito estranho: seria... na verdade, é difícil dizer, melhor nem falar, pois não consigo imaginar-me sendo chamado do jeito que seria, ou pelas variações de apelidos que gerariam e, acredite, eu teria sofrido muito "bulling" caso fosse batizado com nome indizível que minha mãe queria.
Então, acredito que, sim, o nome pode ser fundamental para definir uma pessoa, mas individualmente, não de forma rotulada e genérica, como uma tabela:  todos os Marco são assim; todas as Maria são assim, etc.
Talvez tenha deixado curioso o leitor ou leitora, e vou revelar o nome que minha mãe queria para mim: meu nome seria U... vou respirar fundo e tentar de novo: seria U... Desculpe, mas só de pensar que poderia ter sido chamado assim, sinto um frio na espinha e um pensamento me assombra: eu poderia não ser eu mesmo e, portanto, não existir da forma que existo, pelo simples fato de me chamar U...
 
____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, agosto de 2013

11.5.13

Vai e vem...

Vida desgraçada,
De esperança esquecida
Quer reaparece dosada
Sempre acompanhada
De uma bela morte anunciada.


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Marco Vicente Dotto Köhler, maio 2013

5.12.12

Ensaios


A noite se arrasta.
O dia se arrasta.
A vida se encurta.

Rastejo pela noite.
Seguro as pontas de dia.
Espero que tudo se acabe.

Preparo-me para a vida.
Ensaio seus atos.
Não percebo: já começou.

Vida, noite, dia, ensaios.
Dia, vida noite curta.
Noite, dia, vida, acabou!

_______
Por Marco Vicente Dotto Köhler, 2012

4.12.12

Estilhaços


Preciso alimentar minha existência.
De decadência, já estou cheio!
Cheio de vazio, cheio de nada.
E de tudo.

Os muros que construí
Para proteger meu coração
Já não protegem mais:
Só guardam os entulhos
Do que restou!

Ainda há espaços entre os estilhaços,
Que tento remontar a cada instante.
Instantes em pedaços,
Que vivo...

____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, 2012

27.11.12

Sombras Desleais


Odeio o entardecer
Porque sinto que o dia se esvaiu;
Perdeu-se em meio a planos e sonhos
Que não se realizarão.

O amanhecer me desespera,
Por mostrar um horizonte
Em que não chegarei.
Não como sempre sonhei.

Chegamos tão perto
E agora já não nos olhamos.
Olhares que se imantavam,
Perderam seu poder de atração.

Tudo ficou tão frio de repente.
Mas já não queremos aquecer
Os mesmos cobertores que
Outrora fizemos de casulo.

Não odeio o entardecer
Apenas o vazio que se esconde
Em suas sombras desleais.
Vazio escuro que tento entender.

O amanhecer já não me desespera,
Traz consigo a esperança de aquecer
Todo o frio e iluminar e preencher
Toda escuridão e vazio que há em mim.

____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, em um dia qualquer... 

21.11.12

Acabou


As harmonias e melodias
Já foram todas compostas.
Os vãos de versos
De todos os tempos
Já foram preenchidos.

Heróis e ídolos todos
Foram deixados para trás.
Todas as belezas já foram apagadas.

Até a claridade perdeu
A beleza de clarear.
Não mais trás a luz,
Mostra as trevas
Das sombras, agora reveladas.

Não há mais o que ser feito,
Nem sombras onde se esconder.

Ande sob o sol.
Ande em círculos
Na busca pelo oásis,
Da sua miragem distorcida.

Beba sua água de areia,
Contemple tudo o que há!
Não há nada mais a ser feito.

___
Por Marco Vicente Dotto Köhler, dois mil e...

Lendas


Vou gritar mais alto o que penso.
Ignorar dúvidas,
Escolher um caminho.
Tirar uma carta do baralho.
Esquecer poções, princesas e heróis.

Brindar à sombra eterna,
Que há de nos engolir sem piedade.
Contemplar o céu em chamas,
Ao entardecer nebuloso de nossa existência!

____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, neste século. 

20.11.12

Sem fim...


te espero até tarde da noite,
até descobrir que você não irá ligar;
te espero por toda a vida,
para, quando finalmente encontrar,
perceber que você não virá!

olho para o espaço reservado para você no meu coração,
e ele continua vago;
percebo que você não quer estar aqui.

outra manhã se desenha e te espero até o anoitecer,
para perceber que você não estará aqui, nem aí,
nem em lugar nenhum;

te procuro em todos os lugares,
sabendo que não vou te encontrar,
mas a busca é tudo que tenho,
e não tenho nada sem você aqui;

já deveria ter aprendido há tempos que seria assim;
no fundo sempre soube qual seria o fim.
mesmo assim não canso de tentar encontrar
em algum lugar algum você que queira estar aqui...
_______
Por Marco Vicente Dotto Köhler, em...

12.11.12

O dia que a Terra girou.


Quando criança, não lembro ao certo a idade, talvez aos cinco ou seis, quando me foi ensinado que a Terra gira em torno do sol e também em torno de si mesma, fiquei absolutamente empolgado com aquelas informações. Achei fantástico.
Mas, de outro lado, aquilo criou em mim um desejo absurdo de conseguir ver a Terra girar. Estava decidido: eu conseguiria fazer aquilo. Iria ver a Terra se movendo.
Todos me disseram que não dava, porque estávamos na Terra e não seria possível ver tal giro. Mas ignorei tais comentários e comecei a tentar, por incontáveis vezes. Não sei quanto tempo tentei.
Um dia, num final de semana em que eu estava na casa do meu pai, sentei na grama ao lado da janela do quarto dele, onde ele dormia após o almoço, e fiquei concentrado nas montanhas no outro lado do Rio Uruguai.
Eu ia ver a Terra girar, e ponto final. Fiquei lá sentado, concentrado... até que.... nossa! Eu vi! Senhores, eu vi a Terra girar. Foi uma sensação indescritível. Senti-me um ser humano especial, dotado da capacidade de ver e sentir a Terra girar! Fiquei absolutamente extasiado.  E comecei a gritar por meu pai, pois queria que ele soubesse que eu tinha conseguido.
 - Pai! Pai! Paaai!!  - eu gritava ao lado da janela, sem mover os olhos das montanhas.
 Meu pai abriu a janela, com o humor característico de quem é acordado da sesta e perguntou o que tinha acontecido. Pedi que viesse para fora, para ver o que eu estava vendo. Era uma visão impressionante.
Ele veio, sentou ao meu lado e perguntou
 - o que tu está vendo, filho?
- pai, tu não vê? Eu consegui!
- conseguiu o quê?
- estou vendo a Terra girar, pai! Olha lá na ponta daquela montanha, que o pai vai ver também!
Nesse momento, meu pai, olhando para onde eu tinha dito, passou a mão da minha cabeça e falou:
- filho, não quero te desanimar, mas o que tu está vendo não é a Terra girar, mas as nuvens passando acima da montanha...
Eu não respondi. Fiquei quieto, pensando que não era um ser humano tão especial quanto pensava, que não tinha o super poder de ver e sentir a rotação da Terra.
Mas, foi bom assim. Melhor cortar pela raiz esse tipo de pensamento. Já pensou se meu pai tivesse deixado que eu acreditasse que era uma espécie de super-homem?

Por Marco Vicente Dotto Köhler, novembro de 2012

23.7.12

Insônia


Minha esposa tem insônia. Eu, estando quieto e escuro, durmo bem. Ela, não. Demora para dormir. Demora para querer dormir, eu acho. Não é tanto falta de sono, pelo que observo, e sim falta de vontade de dormir, de fechar ir para a cama, fechar os olhos e desligar as luzes daquele dia, esperando pelo próximo. Parece até que anseia por algum acontecimento ainda naquele final de dia, mesmo que já iniciado o dia seguinte, no relógio, pelo menos.
Apesar de já estar acostumado a isso, e a muitas vezes no meio da noite acordar e ela estar acordada, lendo ou vendo TV, no mudo, para não atrapalhar meu sono, somente para ter alguma coisa com que se distrair – ao invés de tentar dormir –, noites atrás aconteceu algo muito estranho, beirando a bizarrice.
A coisa foi estranha a tal ponto que até eu, bom de sono, não consegui mais dormir, tamanha foi a crise de riso que sofri.
Locomotiva?
Como quando estamos sonhando com algo por interferência de algum estímulo externo, normalmente algum barulho que acaba fazendo parte do sonho, nessa noite meu sonho foi acometido por barulhos um abafados, mas constantes e bem cadenciados, como um pistão acolchoado batendo em algo carpetado ou emborrachado, somado a uma espécie de válvula de escape de máquinas a vapor, mas sem estridente, só o vazar de vapor, com pouca pressão.
No meu sonho isso foi transformado em uma locomotiva, que, com o tempo, acabou me tirando do sono e me trazendo à tona, à cama, ao despertar.
Mas... que som era aquele?
Surpresa mesmo foi continuar ouvindo aquele som.  Ao vascular a cama e perceber estar só, virei para o lado de onde vinha o barulho e percebi, surpreso, que a onomatopéia a locomotiva era minha esposa, ao lado da cama, com pés de pistão e escape de respiração.
Não pude conter o riso ao vê-la ali, com uma concentração perturbadora, fazendo polichinelos aos pés da cama, enquanto olhava para a televisão sem som, com um pássaro de cabeça vermelha e olhos loucos fazendo atrocidades com um funcionário das empresas de telefone, que tinha os postes devorados pela árvore.
O que foi? Nunca viu alguém fazer isso antes?
Mas devorada mesmo foi a concentração dela pelo meu riso, que fez com que parasse de polichineliar e começasse a questionar:
 - o que foi? Nunca viu alguém fazer polichinelos antes?
 - já, claro que sim – respondi, em meio a gargalhadas.
- então, ta rindo de quê – o “de quê” foi dito com perigosa ênfase de mulher irritada, com as mãos na cintura e olhar amedrontador.
- é que... é que...
- para de rir!
- ai.. é que... – não tinha como responder àquela pergunta, era engraçado demais para ser inteligível e colocado em palavras.
- então!   Não vai me dizer onde está a graça? Ta rindo de quê?
- polichinelos! Isso é demais! Minha nossa!
- vai dormir, vai! E para de me incomodar!
- sim, vou tentar, mas... polichinelos?
- é, e daí?
- daí, que... ah... para de perguntar, que ta doendo minha barriga, de tanto rir... ah! Polichinelos! Rá rá!
- ai que saco! Não posso nem fazer polichinelos que já sou motivo de chacota e deboche!
- chacota? Deboche? Rá rá! Polichinelos!
- ai! Vou dormir! Deu!
- polichinelos...
Por fim, ela dormiu, e eu não consegui mais, pois a imagem dela fazendo polichinelos (po-li-chi-ne-los!!) foi demais para um mortal como eu conseguir voltar a dormir...
_______
Por Marco Vicente Dotto Köhler, julho de 2012

9.1.12

Águas passadas....

Como nossos sonhos

Ficaram para trás?

Esquecidos pelo caminho,

Trocados por outras paixões?


Passou nosso tempo,

Perdemos a hora.

Já não tem volta

Está tudo perdido...


Caminho por um tapete de flores mortas,

Que estavam tão vivas quanto nós.

E estamos nós agora tão mortos quanto elas.


Passado e presente se confundem

Na encruzilhada no caminho

De nosso olhar.


Somos águas passadas

No leito pedregoso desse rio

De sonho, desilusão e amor


Esperanças guardadas com carinho

Nos porões empoeirados

Da memória do meu ser!


______

Por Marco Vicente Dotto Köhler

11.10.11

Escritos de caderno

Já que o sono não vem, o jeito é publicar velhos escritos de velhos cadernos...

Incorrigível...

Uma coruja me observa lá fora
Observo o que se passa aqui dentro
E me flagro de novo pensando em você

A coruja voou
Eu queria voar até você

A chuva varre dos céu nossos sonhos terrenos
Escrevendo poesias inúteis fico do lado de fora
Assistindo de um camarote incômodo
Ao que acontece no mundo que gira à minha frente

Sou viciado em rir, porque sou triste
E há muito se confunde riso e felicidade
Sonhador incorrigível, me acostumei
A muros altos e horizontes inalcançáveis.

______
Por Marco Vicente Dotto Köhler, 2000 e...

10.9.11

Atualizações para um defunto amigo

Hoje faz 7 anos que Darlan, meu primo e irmão, morreu. Sim, dizem que vamos dessa para uma melhor. Assim espero.















Foto: Maurício Haas (foto da foto e porta retrato, meus hehe)


Carta a um amigo distante (ou não)

Escrevo hoje para ti, meu amigo, para, caso não saiba, ficar por de
ntro de alguns ocorridos desde que você "zarpou", como dizia o Chico, lembrado dias atrás pelo nosso amigo-irmão Mau.
Não é uma atualização do tipo retrospectiva, da Globo, é mais pessoal, é sobre o que imagino que você realmente gostaria de saber.



Vamos lá:

em 2005, o Internacional foi, finalmente, após quase três décadas, Campeão Brasileiro de futebol, mas não levou. Teve um tapetaço, escândalo de arbitragem e um favorecimento escancarado do Corínthians, que, após escandalosa passividade da mídia, foi considerado o campeão brasileiro, sem questionamentos.

Quer dizer, até teve, na "Justiça", a favor dos interesses do Inter, que foi ameaçado de não poder participar de nenhuma competição oficial, e, pasme, revire-se mais ainda de ódio, e de, caso levasse adiante aquele "impropério" contra o todo poderoso Ricardo Teixeira e o curíntia, impediria também o Brasil de participar da Copa do Mundo da Alemanha, no ano seguinte.

Bom, 2006 foi um ótimo ano: Lula foi reeleito Presidente do Brasil, e o Inter sagrou-se Campeão da Libertadores da América, com dois jogos épicos nas finais contra o São Paulo, com direito a narração do Pedro Ernesto Denardin em que sentencia, após gol de Rafael Sóbis, que o Inter rasga e pisa na camisa do São Paulo. Épico, emocionante, simplesmente demais. Pena não ter visto aqui desse plano terreno, Darlan.

Ainda em 2006, Justiça foi feita e o Corínthians foi rebaixado à segunda divisão, com ajuda imprescindível do Inter e, para nossa surpresa, também do co-irmão Grêmio.

No final do ano, nosso amado Colorado venceu o todo poderoso Barcelona na final do Mundial Interclubes, em Tóquio. Foi espetacularmente bom vencer o melhor time do mundo, ainda mais por não deixar o gremista Ronaldinho Gaúcho manchar esse momento histórico do Sport Club Internacional.

Quanto ao Brasil na Copa... bom, melhor se não tivesse ido. Foi deprimente, de dar sono. Acabei torcendo para a Argentina e depois para a Itália.

2007.... não lembro muita coisa interessante desse ano para te contar. Ah, sim! Passei em um concurso público e agora sou Servidor do TJ em Lauro Müller, onde muita gente tem saudade de ti.

Depois disso, acho que você gostaria de ter ido ao meu baile de formatura desse que vos fala, talvez ido junto a uma viagem de bicicleta que fiz parcialmente, pois acabei voltando antes do planejado.

Em 2010, o Inter foi novamente campeão da Libertadores, vencendo o São Paulo nas semi-finais e o poderoso... não lembro, do México, na final. Foi muito bom, com direito a carreata com 3 carros em Lauro Müller (carreta essa três vezes maior que a de 2011, quando vencemos o campeonato Gaúcho, com "carreata de um carro só", mas com muito amor, barulho e bandeira hehe).

ah! Espanha campeã do mundo de futebol, com um futebol de dar gosto de ver... simplesmente moendo a pau!

O PT continou na Presidência da República, elegendo Dilma Roussef a primeira mulher Presidenta. Até agora, parece tudo nos conformes, apesar das tentativas virulentas da direita, que não se conforma....

Agora fiasco que ainda bem que você não esteve aqui para sofrer com gozações de gremistas, principalmente as que sofreria por parte do Mau, que iria te sacanear muito: o Inter foi para as finais do mundial, que é disputado com 4 times, vencedores disputam a final. o Inter perdeu para o espetacular Mazembe, do Congo, no que foi chamado de "Mazembaço" e rendeu aos gremistas o título de torcida mais feliz do ano. Pois é...

Em 2011, os EUA mataram o Osama Bin Laden e jogaram o corpo no oceano. Vai saber, né?. ah! elegeram um presidente democrata, finalmente, e é o primeiro negro da História a assumir tal posto. Espero que se reelega para ter tempo de cumprir a promessa de extinguir Guantánamo.

Resumão

Enfim: o Dani, meu primo-irmão e teu irmão de sangue, casou com a Eve, que acho que você conheceu, e nesse ano compraram uma casa e daqui a pouco ele se forma na faculdade. Tua mãe graduou-se pedagoga, dois anos atrás. O Chico casou com uma baiana muito querida, a Sil, e moram em São Paulo, em Barueri, se não me engano. a Mari casou e descasou e tá melhor agora, na minha opinião. A Débora também casou e é mamãe. o Gabri também casou e tá "xonado". o Elton casou e cobre motocross, junto com o Mau, que não casou e continua gremista! =D

Bom, acho que é desnecessário dizer que a vó Rosa morreu, pois certamente estão lendo esse texto fajuto juntos. Aproveita e manda um beijão pra ela.

O que faltou

Certamente faltou falar muito das catástrofes climáticas, de uma crise financeira que quase repetiu a de 1929, de alguns escândalos de corrupção, de malucos que entram atirando em escolas, de enormes quantidades de drogas apreendidas, enquanto o tráfico continua a aumentar seu poderio, de erros de arbitragem a favor dos clubes de São Paulo e do Rio; faltou falar do Itaquerão, do Ricardo Teixeira, do show dos membros restantes do Led Zeppelin, e de muito mais.

Constatação

Na verdade, agora que acabei de escrever, acho que os fatos a que dei mais importância não foram os que creio que tu perdeu, mas sim os momentos que eu gostaria de ter compartilhado contigo, aqui, no mesmo plano, pois sei, no fundo, que tu sabe de tudo isso que te contei e mais um pouco, e que, de uma forma ou de outra, estava aqui dando gargalhada nas horas boas, nos dando força nas ruins e trazendo calma nas horas de raiva.

Então, quem sabe, até dezembro de 2012, quando dizem que o mundo vai acabar. o problema é que vai ser tanta gente morta ao mesmo tempo que vai ser difícil te encontrar. Qualquer coisa, nos encontramos pairando onde hoje é o Beira Rio.

Um Grande Abraço, do primo-irmão, Marco.
10 de setembro de 2011.

Ps.: Darlan, me desculpe, mas, sim, Tangerine é linda, mas Stairway to Heaven mata a pau! =D

7.9.11

Prorrogador de prazeres.

Essa expressão, "prorrogador de prazeres", é atribuída ao personagem principal do filme "Vanilla Sky", de 2001, refilmagem de "Abra os Olhos", original espanhol de 1997.

Às vezes penso que também sou uma espécie de prorrogador de prazer, que gosta de adiar o prazer, curtir o momento que vem antes.
Refiro-me ao prazer latu sensu, sem restrição à provável conexão que o leitor fará com o prazer sexual.

Falo do prazer em provar um capuccino de Alpino, que há muito desejo e finalmente comprei; do prazer em andar de bicicleta após tempos impedido por algum problema físico; de jogar futebol com a bola nova que ganhei no natal passado, etc., e, também, claro, o momento anterior ao orgasmo, certamente também é de um prazer imenso, que merece considerações à parte.

Enfim, esse texto é sobre uma moto. Ter uma motocicleta é sonho antigo, que finalmente consegui realizar. Mas ainda não está realizado por completo. A moto está na garagem, paradinha, esperando pela primeira volta nas ruas com seu novo parceiro.

A causa principal de ainda não ter andado é a chuva, que não tem dado trégua. Mas estou curtindo esse clima pré-prazer, que, espero, dará ainda melhor sabor e mais gosto ao momento da primeira motocada por aí.

E você, é também um(a) prorrogador(a) de prazer?


_____
Marco Vicente Dotto Köhler, setembro de 2011.

17.8.11

Sinapses emocionantes...

Sempre que ouço "Hey Jude", dos The Beatles, sou invadido por uma tristeza nostálgica, de um aniversário meu.

O estranho é que lembro somente de uma imagem: eu sentado no chão da sala de nossa casa em Itapiranga, pelos idos de 1993, talvez 92, ou 91....

Enfim, a lembrança é de um momento bem estranho, em que eu estava sozinho, brincando com carrinhos que ganhei de presente de meus pais, tios, amigos... não sei ao certo se havia alguém na cozinha, ou outra parte da casa, mas creio que sim, mas era (é, ainda, na lembrança) um sentimento de completa solidão, e a música, provavelmente tocando na rádio, era Hey jude.

Estranhas essas sinapses que nos trazem sentimentos dos mais variados, que nos tomam de assalto, sem mais nem menos, às vezes através de uma música, um cheiro...

O importante, creio, é que faz parte da vida, e acaba nos lembrando de quem fomos, e como viemos parar no que somos....

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Por Marco Vicente Dotto Köhler, 17/08/2011.

13.8.11

Quando Fomos Heróis!

A época do ano era convidativa para aventuras, sonhos e desafios. Fim de ano, família reunida... tios, tias e avós, todos naquela alegria de quase fim do ano, de quase novo ano... eram almoços com muita conversa da família de descendentes de italianos, melancia no meio da tarde, à sombra da frondosa árvore no quintal da casa dos meus avós.

Mas o que importava mesmo eram os primos que vinham passear uma vez por ano, quando curtíamos a valer nossa infância, jogando futebol, andando de bicicleta ou fazendo guerra de polícia contra bandido, na marcenaria do meu avô, que ficava junto a casa, onde pequenos cubos de madeira magicamente se transformavam em granadas, onde três pedaços de madeira, encaixados, quando eram do tipo que se faz paredes, ou pregadas, mais alguns pregos extras e simplesmente sofriam mutações e viravam revólveres, espingardas ou metralhadoras, com gatilho e mira feita com pequenos pregos.

A brincadeira consistia em nos dividirmos em duas equipes, uma de bandidos, outra de policiais, e um grupo deveria ficar dentro da marcenaria e protegê-la da invasão contrária. Era demais! Simplesmente incrível.

Primeiro Ato – O Heroísmo

Talvez essa vocação de policial nos fez tentar algo de heróico em uma daquelas tardes ensolaradas de dezembro, em Itapiranga, aquela cidade cercada por morros e à beira do Rio Uruguai, na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul e com a Argentina, onde fazia um calor infernal.

Mas não nos importávamos. Embarcávamos em nossas naves movidas a pedais, com duas rodas aro 20 , que os mortais de visão estreita chamavam simplesmente de bicicleta!

Andávamos pela cidade, normalmente pela Avenida Uruguai, à beira Rio, quase sempre em grupos de em três, quatro, cinco...

Em um desses passeios, aconteceu algo inédito, que nos encheu de adrenalina: dois cidadãos largaram discretamente um saco na beira da calçada, em um lugar entre árvores e com capim relativamente alto, olharam em volta e seguiram adiante.

Nós, á distância, achamos curiosa a cena e a atitude dos dois, e paramos para conferir o que eles haviam largado lá.

Para nosso espanto, era um saco plástico contendo um pó branco, um tanto amarelado. Deixamos o saco ali, e seguimos adiante, fomos até o final da avenida, a uns dois quilômetros dali, e retornamos, pegamos aquela sacola e fomos para o quartel general: a marcenaria do meu avô, onde as indagações começaram de verdade.

O que seria? Cocaína? Heroína? Farinha de trigo? De quem era? Por que havia sido largada lá? Seria uma entrega mal planejada? Para quem seria? O que deveríamos fazer? Voltar lá e deixar onde estava? Não, isso não mais era possível, poderíamos ser descobertos, afinal, o local deveria ter sido previamente combinado com o suposto comprador... e ele poderia chegar lá no momento em que devolveríamos, o que seria nosso fim!

Segundo Ato – O Reconhecimento

Estávamos encrencados! Contaríamos a nossos pais? Certamente, não. Afinal, éramos os heróis, naquele dia.

Imaginávamos recebendo medalhas de honra por ter evitado que drogas chegassem às ruas, e quem sabe conseguiríamos desmantelar uma quadrilha de traficantes!

Depois de muito pensar, decidimos abrir o saco e tentar descobrir o que era. Abrimos com cuidado. O cheiro era forte, mas não nos era familiar. Farinha, com certeza não era. Como não conhecíamos muito além de farinha de trigo e de milho, maisena e polvilho, poderia mesmo ser realmente algo importante que encontramos lá.

Feita a análise, por nós, cinco garotos com experiência de vida entre 7 e 9 anos... de idade, decidimos ir à delegacia e entregar o produto do crime ao delegado, que, em nossa imaginação, nos parabenizaria pelo ato heróico, chamaria a rádio e o jornal local, o prefeito, o promotor de justiça, juiz e quem mais fosse para a cerimônia de honraria aos heróis mirins de Itapiranga.

Chegando lá, os cinco heróis, Darlan, Daniel e Kéu, meus primos, e Dengo, meu amigo e vizinho da minha avó, mais eu, (esse era o grupo, se minha memória não estiver me traindo, novamente) fomos logo perguntando pelo Delegado de Polícia, com a euforia característica de um herói em seu primeiro ato.

Questionados a respeito do motivo de estarmos ali, erguemos o tal saco de pó desconhecido, em uma atitude quase de quem levanta um troféu. Um troféu pequeno, talvez meio quilo ou um pouco mais.

O policial que nos atendeu perguntou o que era aquilo, e contamos a história a ele, um interrompendo o outro, com a felicidade de quem está ajudando a humanidade a salvar-se da maldade.

Um tanto incrédulo (para não dizer completamente), o policial chamou o Delegado, que nos questionou sobre os detalhes de como conseguimos aquele saco com aquele pó, e sobre como eram os dois supostos traficantes que teriam largado a “encomenda” no “ponto de entrega”.

Nos acalmou, dizendo que poderíamos ficar tranquilos, que apesar de ter perguntado e anotado nossos nomes e os nomes dos nossos pais, não estávamos correndo qualquer risco. Seria uma investigação sigilosa! Essa palavra acendeu novamente nossa honra de heróis!

Saímos dali com a sensação de dever cumprido.

Terceiro Ato – A Descoberta

À noite, quando minha mãe, chegou em casa, já sabia do ocorrido. O Delegado avisou nossos pais, o que não era nada bom, pois levei um sermão interminável sobre os riscos de se fazer o que fizemos. Ouvi, impassível, ainda orgulhoso do que tínhamos feito, argumentando que poderíamos estar ajudando a polícia a prender bandidos, o que era compreendido por ela em termos de “se meter em encrencas”.

No dia seguinte, ficamos proibidos de sair de bicicleta. Era nossa recompensa pelo ato heróico. Ficamos em casa, imaginando ainda os frutos que poderíamos colher da atitude mal compreendida, afinal, todo herói é posto em dúvida em algum momento.

Dias depois, minha mãe deu a notícia que tanto aguardávamos: o que tinha naquele saco?

- era enxofre, meu filho! - disse ela, com um ar de tranquilidade que até pouco tempo não compreendia.

Então, foi isso. Salvamos a humanidade do terrível mal destruidor de um saco plástico com enxofre!

Mas, apesar do revés, ninguém pode tirar de nós aquele sentimento de dever cumprido, nem duvidar de que, naquele dia, fomos heróis!

______________

Por Marco Vicente Dotto Köhler.

29.7.11

Complicar o simples

Tem sites que parecem querer dificultar a vida de quem navaga por eles, pois estão cheios de links mas sem informar direito onde está cada coisa.

Exemplo disso, é a página da ESPN. Ótimo canal de tv, único do Brasil que transmite AMA Motocross, X-Games, coisas que nem se sabe que existe em canais da tv aberta e dos demais de esportes da tv por assinatura.

Mas o site é uma tristeza só. Na transmissão da tv o apresentador convida o telespectador a participar pelo site, informa o endereço e você acessa e simplesmente não há informação clara de onde está o local para participação.

Hoje gostaria de ter participado da transmissão, incentivando a continuidade das transmissões e também dar um pitaco de chato e reclamar da quantidade excessiva de intervalos, fazendo com que se perca quase a metade das provas que estão sendo mostradas ao vivo.

É informação demais, e ao mesmo tempo de menos. Posso estar sendo um puta chato, mas creio que deveria ser mais fácil entender o layout de um site, ainda mais um de uma rede de tv com tamanha estrutura.

Talvez sigam a filosofia de alguns professores que profetizam, para terror dos alunos: "para que simplificar, se eu posso complicar?"


_____
Por Marco Vicente Dotto Köhler, julho 2011

27.7.11

Meus Super Poderes

Quando criança, queria acreditar que possuía super poderes.

Isso foi aos oito, dez anos de idade, não tenho certeza. Creio que seja uma fantasia normal da e na infância.

Quais eram os tais super poderes, na verdade, não lembro direito. Traído por minha nada super poderosa memória.

Lembro bem o modo como meus poderes eram recarregados. Sim! Eram tão super power que era necessário recarregar. Só não sei como eu percebia o momento em que havia se esgotado tais forças, como percebia que precisava de recarga.

A fonte de energia dos super poderes era a luz. Pois é! Eram recarregados pelos olhos.

Mas, calma! Nunca precisei encostar a retina em uma lâmpada ou vela. Já era por wireless ou coisa que o valha. Bastavaolhar fixamente, concentrando o pensamento na recarga, e pronto!

O Sol era poderoso. Pouco mais de um segundo, e estava 100%! Provavelmente por nãoaguentar olhar fixamente para o Astro por mais tempo que isso.

O espelho noturno do Sol, nem tanto, era lento na recarga.

Na missa, minha fonte preferida de iluminação não era o evangelho ou a luz que pendia do teto, mas aquela luzinha de simulacro de vela, que ficava ao fundo, atrás do altar. Não sei bem o motivo, mas gostava de recarregar através dela.

Ou, quando havia algum casamento ou coisa assim, os spots de iluminação das filmagens, também poderosos.

Flashes de câmeras fotográficas também serviam, mas era pouco tempo de luz e a recarga era quase nula.

Será que, anos depois, quando em alguns momentos imaginava um raio laser saindo da ponta dos meus pés, com os quais eu supostamente acertava o que estava mirando, era a luz acumulada das recargas saindo?

Sei que é sorte minha meus olhos nunca terem fritado ao Sol, por olhar várias vezes por dia para ele, para recarregar as tais forças.

Ou será que foram meus supostos super poderes que os protegeram?


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Por Marco Vicente Dotto Köhler, julho 2011.

19.7.11

Injustiça no futebol

Não aguento mais ouvir que o resultado do jogo do Brasil e Paraguai foi injusto, tendo como argumento o fato de a seleção canarinho ter jogado melhor, dominado o jogo e não ter vencido, possibilitando a decisão nas penalidades.


Há tempos muito me irrita esse tipo de afirmação quando nessas circunstâncias, afinal, houve erro de arbitragem? Houve venda de resultado? Houve qualquer tipo de sacanagem, no sentido de irregularidade para que tenha sido esse resultado injusto? Pelo que se sabe, não. Houve, sim, incompetência. Nada mais.

Se, por exemplo, um time passa noventa minutos dominando o jogo, pressionando, não deixando o time adversário jogar, e, em uma única falha, leva um gol e sai derrotado, foi injusta a derrota?

Nesse caso, pode-se dizer que o resultado não refletiu a realidade da partida, pois o time que venceu não estava melhor em campo.

Por outro lado, foi mais competente, teve a chance e aproveitou, ao contrário do outro time, que não teve a competência necessária para marcar e vencer.

Agora, se há um pênalti marcado erroneamente, ou, pelo contrário, não é marcado pênalti em um lance em que a penalidade é flagrante, aí, sim, pode-se falar em injustiça.

Assim também quando há expulsões indevidas, ou não se expulsa quando se deve e tal fato influencia diretamente no resultado do jogo; quando o árbitro e/ou jogadores estão envolvidos em esquemas fraudulentos de manipulação de resultados, etc..

Portanto, creio que quando não há qualquer tipo de irregularidade, não há resultado injusto, mas premiação pela competência ou punição pela falta dela, nada mais, nada menos.

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Por Marco Vicente Dotto Köhler, 2011