Ei, costume?
Acho que já o perdi.
RAZÃO DE SER: Escrevo. E pronto. Escrevo porque preciso, preciso porque estou tonto. Ninguém tem nada com isso. Escrevo porque amanhece, E as estrelas lá no céu Lembram letras no papel, Quando o poema me anoitece. A aranha tece teias. O peixe beija e morde o que vê. Eu escrevo apenas. Tem que ter por quê? (Paulo Leminski)
Como nossos sonhos
Ficaram para trás?
Esquecidos pelo caminho,
Trocados por outras paixões?
Passou nosso tempo,
Perdemos a hora.
Já não tem volta
Está tudo perdido...
Caminho por um tapete de flores mortas,
Que estavam tão vivas quanto nós.
E estamos nós agora tão mortos quanto elas.
Passado e presente se confundem
Na encruzilhada no caminho
De nosso olhar.
Somos águas passadas
No leito pedregoso desse rio
De sonho, desilusão e amor
Esperanças guardadas com carinho
Nos porões empoeirados
Da memória do meu ser!
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Por Marco Vicente Dotto Köhler
A época do ano era convidativa para aventuras, sonhos e desafios. Fim de ano, família reunida... tios, tias e avós, todos naquela alegria de quase fim do ano, de quase novo ano... eram almoços com muita conversa da família de descendentes de italianos, melancia no meio da tarde, à sombra da frondosa árvore no quintal da casa dos meus avós.
Mas o que importava mesmo eram os primos que vinham passear uma vez por ano, quando curtíamos a valer nossa infância, jogando futebol, andando de bicicleta ou fazendo guerra de polícia contra bandido, na marcenaria do meu avô, que ficava junto a casa, onde pequenos cubos de madeira magicamente se transformavam em granadas, onde três pedaços de madeira, encaixados, quando eram do tipo que se faz paredes, ou pregadas, mais alguns pregos extras e simplesmente sofriam mutações e viravam revólveres, espingardas ou metralhadoras, com gatilho e mira feita com pequenos pregos.
A brincadeira consistia em nos dividirmos em duas equipes, uma de bandidos, outra de policiais, e um grupo deveria ficar dentro da marcenaria e protegê-la da invasão contrária. Era demais! Simplesmente incrível.
Talvez essa vocação de policial nos fez tentar algo de heróico em uma daquelas tardes ensolaradas de dezembro, em Itapiranga, aquela cidade cercada por morros e à beira do Rio Uruguai, na divisa de Santa Catarina com o Rio Grande do Sul e com a Argentina, onde fazia um calor infernal.
Mas não nos importávamos. Embarcávamos em nossas naves movidas a pedais, com duas rodas aro 20 , que os mortais de visão estreita chamavam simplesmente de bicicleta!
Andávamos pela cidade, normalmente pela Avenida Uruguai, à beira Rio, quase sempre em grupos de em três, quatro, cinco...
Em um desses passeios, aconteceu algo inédito, que nos encheu de adrenalina: dois cidadãos largaram discretamente um saco na beira da calçada, em um lugar entre árvores e com capim relativamente alto, olharam em volta e seguiram adiante.
Nós, á distância, achamos curiosa a cena e a atitude dos dois, e paramos para conferir o que eles haviam largado lá.
Para nosso espanto, era um saco plástico contendo um pó branco, um tanto amarelado. Deixamos o saco ali, e seguimos adiante, fomos até o final da avenida, a uns dois quilômetros dali, e retornamos, pegamos aquela sacola e fomos para o quartel general: a marcenaria do meu avô, onde as indagações começaram de verdade.
O que seria? Cocaína? Heroína? Farinha de trigo? De quem era? Por que havia sido largada lá? Seria uma entrega mal planejada? Para quem seria? O que deveríamos fazer? Voltar lá e deixar onde estava? Não, isso não mais era possível, poderíamos ser descobertos, afinal, o local deveria ter sido previamente combinado com o suposto comprador... e ele poderia chegar lá no momento em que devolveríamos, o que seria nosso fim!
Estávamos encrencados! Contaríamos a nossos pais? Certamente, não. Afinal, éramos os heróis, naquele dia.
Imaginávamos recebendo medalhas de honra por ter evitado que drogas chegassem às ruas, e quem sabe conseguiríamos desmantelar uma quadrilha de traficantes!
Depois de muito pensar, decidimos abrir o saco e tentar descobrir o que era. Abrimos com cuidado. O cheiro era forte, mas não nos era familiar. Farinha, com certeza não era. Como não conhecíamos muito além de farinha de trigo e de milho, maisena e polvilho, poderia mesmo ser realmente algo importante que encontramos lá.
Feita a análise, por nós, cinco garotos com experiência de vida entre 7 e 9 anos... de idade, decidimos ir à delegacia e entregar o produto do crime ao delegado, que, em nossa imaginação, nos parabenizaria pelo ato heróico, chamaria a rádio e o jornal local, o prefeito, o promotor de justiça, juiz e quem mais fosse para a cerimônia de honraria aos heróis mirins de Itapiranga.
Chegando lá, os cinco heróis, Darlan, Daniel e Kéu, meus primos, e Dengo, meu amigo e vizinho da minha avó, mais eu, (esse era o grupo, se minha memória não estiver me traindo, novamente) fomos logo perguntando pelo Delegado de Polícia, com a euforia característica de um herói em seu primeiro ato.
Questionados a respeito do motivo de estarmos ali, erguemos o tal saco de pó desconhecido, em uma atitude quase de quem levanta um troféu. Um troféu pequeno, talvez meio quilo ou um pouco mais.
O policial que nos atendeu perguntou o que era aquilo, e contamos a história a ele, um interrompendo o outro, com a felicidade de quem está ajudando a humanidade a salvar-se da maldade.
Um tanto incrédulo (para não dizer completamente), o policial chamou o Delegado, que nos questionou sobre os detalhes de como conseguimos aquele saco com aquele pó, e sobre como eram os dois supostos traficantes que teriam largado a “encomenda” no “ponto de entrega”.
Nos acalmou, dizendo que poderíamos ficar tranquilos, que apesar de ter perguntado e anotado nossos nomes e os nomes dos nossos pais, não estávamos correndo qualquer risco. Seria uma investigação sigilosa! Essa palavra acendeu novamente nossa honra de heróis!
Saímos dali com a sensação de dever cumprido.
À noite, quando minha mãe, chegou em casa, já sabia do ocorrido. O Delegado avisou nossos pais, o que não era nada bom, pois levei um sermão interminável sobre os riscos de se fazer o que fizemos. Ouvi, impassível, ainda orgulhoso do que tínhamos feito, argumentando que poderíamos estar ajudando a polícia a prender bandidos, o que era compreendido por ela em termos de “se meter em encrencas”.
No dia seguinte, ficamos proibidos de sair de bicicleta. Era nossa recompensa pelo ato heróico. Ficamos em casa, imaginando ainda os frutos que poderíamos colher da atitude mal compreendida, afinal, todo herói é posto em dúvida em algum momento.
Dias depois, minha mãe deu a notícia que tanto aguardávamos: o que tinha naquele saco?
- era enxofre, meu filho! - disse ela, com um ar de tranquilidade que até pouco tempo não compreendia.
Então, foi isso. Salvamos a humanidade do terrível mal destruidor de um saco plástico com enxofre!
Mas, apesar do revés, ninguém pode tirar de nós aquele sentimento de dever cumprido, nem duvidar de que, naquele dia, fomos heróis!
Por Marco Vicente Dotto Köhler.
Quando criança, queria acreditar que possuía super poderes.
Isso foi aos oito, dez anos de idade, não tenho certeza. Creio que seja uma fantasia normal da e na infância.
Quais eram os tais super poderes, na verdade, não lembro direito. Traído por minha nada super poderosa memória.
Lembro bem o modo como meus poderes eram recarregados. Sim! Eram tão super power que era necessário recarregar. Só não sei como eu percebia o momento em que havia se esgotado tais forças, como percebia que precisava de recarga.
A fonte de energia dos super poderes era a luz. Pois é! Eram recarregados pelos olhos.
Mas, calma! Nunca precisei encostar a retina em uma lâmpada ou vela. Já era por wireless ou coisa que o valha. Bastavaolhar fixamente, concentrando o pensamento na recarga, e pronto!
O Sol era poderoso. Pouco mais de um segundo, e estava 100%! Provavelmente por nãoaguentar olhar fixamente para o Astro por mais tempo que isso.
O espelho noturno do Sol, nem tanto, era lento na recarga.
Na missa, minha fonte preferida de iluminação não era o evangelho ou a luz que pendia do teto, mas aquela luzinha de simulacro de vela, que ficava ao fundo, atrás do altar. Não sei bem o motivo, mas gostava de recarregar através dela.
Ou, quando havia algum casamento ou coisa assim, os spots de iluminação das filmagens, também poderosos.
Flashes de câmeras fotográficas também serviam, mas era pouco tempo de luz e a recarga era quase nula.
Será que, anos depois, quando em alguns momentos imaginava um raio laser saindo da ponta dos meus pés, com os quais eu supostamente acertava o que estava mirando, era a luz acumulada das recargas saindo?
Sei que é sorte minha meus olhos nunca terem fritado ao Sol, por olhar várias vezes por dia para ele, para recarregar as tais forças.
Ou será que foram meus supostos super poderes que os protegeram?
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Por Marco Vicente Dotto Köhler, julho 2011.
Não aguento mais ouvir que o resultado do jogo do Brasil e Paraguai foi injusto, tendo como argumento o fato de a seleção canarinho ter jogado melhor, dominado o jogo e não ter vencido, possibilitando a decisão nas penalidades.