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13.3.09

Independências cotidianas.

Ontem, com 25 anos de idade, aprendi (ou, talvez, reaprendi, pois não sei se já sabia ou não) que cadarços de tênis não desamarrem a cada cinco minutos, basta fazer outro “nozinho” com os laços do tope anterior. Pronto! Foi a invenção da roda, para mim. A propósito, obrigado Jaqueline, por me ajudar a não perder tempo amarrando cadarços o dia todo...

Tal episódio me fez lembrar da felicidade da qual fui acometido no dia que, lá pelos 5 ou 6 anos de idade (ou teria sido antes?) me ensinaram, com sucesso, após várias tentativas, a amarrar os cadarços. (Vaga lembrança que tenho é a de sentar em um degrau qualquer, apoiar o queixo nos joelhos e, com muita felicidade, amarrar os cadarços, observando aqueles dois pedaços de pano com plástico nas pontas se transformarem, como que por mágica, em laços que prendiam os tênis nos pés...)

Nossa! Aquilo sim foi uma das coisas mais importantes que aconteceram, naquela época, pois me fez sentir como um adulto, ou, no mínimo, como um pouco mais independente.
E que independência, diga-se de passagem, pois a partir daquele instante, poderia sair correndo por onde quer que fosse, sem medo de ter que voltar, com cuidado para não tropeçar e cair, a cada vez que os malditos cadarços desamarrassem.

Por mais estranho que possa parecer, comecei a torcer para que os cadarços desamarrassem a toda hora, só para poder ter o prazer de amarrá-los, sozinho, e seguir adiante!

Hoje, talvez, em retrospectiva, para muitos tal fato possa parecer não ter tanta importância quanto a que estou atribuindo. Mas creio que tenha sim, pois são com essas pequenas independências cotidianas que nos tornamos quem somos, e que aprendemos que temos sempre algo a aprender, mesmo que sejam coisas simples!
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Por Marco Vicente Dotto Köhler, em 13 de março de 2009.

29.1.09

Foi a nostalgia quem bateu à porta.

Um certo dia a nostalgia bateu à porta, trazendo, disfarçada, a saudade, que, em verdade, funde-se com lembranças, formando a própria nostalgia.
Primos, amigos e conhecidos, que antes se viam com grande freqüência, às vezes até diariamente e hoje, pelo que se observa, vêem-se quase somente em velórios e casamentos, oportunidades (principalmente nos velórios) em que prometem ver-se mais seguidamente, não deixando passar tanto tempo entre uma vez e outra que se visitam - se é que não se vêem somente em velórios e casamentos.
Mas é assim mesmo que as coisas são. Com o tempo, o próprio tempo nos consome, deixando-nos ao seu próprio sabor, como se fôssemos um pequeno barco a velas navegando sem velas pelo mar do tempo.
Talvez a próxima vez que houver esse re-encontro seja no meu velório, ou casamento. Quem pode saber?
Diz-se que o tempo passa mais depressa conforme envelhecemos e, após atingirmos um certo estágio nesse envelhecimento, ele volta a andar a passos lentos.
Por enquanto, como os passos dados são largos e rápidos, vou tentando me adequar a essa velocidade, às vezes tentando freá-lo, mesmo sabendo ser esforço inútil. Às vezes corro, na tentativa de igualar a velocidade empreendida pelo tempo, mas também não é possível, pois ele corre de forma cíclica, mas nunca se sabe em que ciclo está, o que faz com que me sinta tonto com facilidade, forçando-me a diminuir o passo e torcer para que o alcance, ou, ao menos consiga me sincronizar, em uma dessas partes curvilíneo-temporais que nos aguardam logo à frente.
Não deu tempo nem de oferecer, à nostalgia um chá ou um sanduíche para viagem. A visita foi breve. Foi embora logo, dizendo que precisa visitar muitos ainda hoje. Sem falta.
Deixou para mim algumas boas lembranças para me fazer companhia até a próxima visita, que não sei quando será. Creio que não demore muito, pois também ela parece sentir que se não fizer essas visitas, será também consumida pelo tempo e deixada para trás, nostálgica.
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Por Marco Vicente Dotto Köhler, em algum dia nostálgico de 200__

8.1.09

Opa! já é 2009!

Depois de uma ausência cavernosa, enfim que volto às postagens.
Bom, para começar o ano, uma coisa boba que escrevi seiláquando!

"A namorada está na morada
enamorada pelo namorado
que a namora demoradamente"


Pois é... Troca-se os calendários nas paredes.
Mais um velho ano novo pela frente...

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Por Marco Vicente Dotto Köhler, em 08 de janeiro de 2009...

31.10.08

Malditas escadas! Estranhezas da vida diária.

Odeio, mas odeio tão fervorosamente, que, por vezes, penso talvez seja apenas cisma, ou uma pequena birra. Impaciência, quem sabe.

Ou será que tenho problemas de ansiedade? Não, isso estaria relacionado ao bruxismo e a maldita dor no maxilar (lar máximo da dor! – trocadilho irresistível! Ou não...)

Mas, enfim, o foco do aludido ódio duvidoso são escadarias. Não elas, em si, mas subir e descer escadas. Todas elas, mas, em decorrência do maior uso, das escadas entre andares, escadas de acesso (local de trabalho; para meu apartamento, etc.).

Sim, têm escadas que não são escadarias, tais como as que se utilizam para subir em laranjeiras, ou da vendedora em lojas, estas, que, diga-se de passagem, para mim, lembram escadas de eletricistas. E da minha tia subir para pegar as coisas nas prateleiras da despensa da casa dela e do meu padrinho.

Isso não vem ao caso, nem é o caso de um tratado histórico-filosófico sobre escadas e escadarias.

O que pretendo mesmo falar é que não consigo subir ou descer escadas (as de prédios e praças, por exemplo, não as de laranjeiras, vendedoras, eletricistas e da minha tia. Só para esclarecer. Ou nebular de vez!!) ... como ia dizendo, apenas queria contar para os milhões, bilhões, triziguilhões, todoszilhões de leitores, que não consigo, ao me deparar com uma escadaria (para não restar dúvidas acerca da classe de escadas a que me refiro, que não são as de despensa, laranjeiras...) subir – nem descer – sem que eu o faça correndo.

Isso mesmo: é inimaginável subir ou descer escadarias sem, no mínimo pular alguns degraus ou acelerar o passo, dando uma “corridinha”. Só de pensar em fazer isso andando dá pavor!

Bem, compartilhada essa pequena mania, despeço-me, por ora (ou não, afinal nunca se sabe, né?!) pois estou ansioso para finalizar esse texto, o que me fez lembrar do meu possível transtorno de ansiedade, o que, por sua vez, me fez sentir dor no maxilar, em decorrência do bruxismo, que é conseqüência da ansiedade, o que, por sua vez...
Malditas escadas!
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Por Marco Vicente Dotto Köhler, outubro de 2008.

2.10.08

Quanto

Quanta coisa mudou depois que você se foi.
Quanta coisa ficou igual e não mudará.
Quanto tempo perdi enquanto você não vem.
Mas o tempo não volta, nem você também.

Quanto eu mudei depois que você se foi.
Mas no fim das contas mudam os fatores,
E o resultado é sempre igual.
Fui e sou o que serei, e você também,
Mas para mim o tempo passa, não mais para você.

Quanto fiquei parecido com você, depois que o tempo passou.
Será que seria assim se você estivesse aqui?
Pergunto por perguntar. Sei, você não vem para responder,
Não vem pro café, nem pro jantar também.

Quantos sorrisos sorri, quantas lágrimas chorei.
Quantos mates tomei, quantas brisas senti.
Quantas idas parti, quantas vindas cheguei.
Quantos anos já se passaram depois que você disse adeus?

Quanta coisa mudou, quanta coisa ficou.
Quanto fiquei tanta coisa, quando você se foi.
Quanto ao que faço agora: um abraço e até outra vez!

(“deu pra ti, baixo astral, vou pra porto alegre, tchau!” )

Abraço para você tio Jaime!
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Por Marco Vicente Dotto Köhler